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SÃO PAULO – Tendo em vista mercados “cada vez mais entusiasmados” com a recuperação de grande parte das economias latino-americanas, o Bank of America Merrill Lynch aponta o Brasil como líder da retomada na região. No entanto, o banco mostra em suas projeções que o ritmo de crescimento de cada economia mostrará forte diferença.
Tendo sido uma das primeiras economias a sair da recessão no continente durante o segundo trimestre do ano – juntamente com a Colômbia -, os analistas do banco afirmam que o Brasil tem emitido sinais evidentes de recuperação em diversos segmentos importantes, como a indústria, as vendas no varejo, o mercado de trabalho e a obtenção de crédito.
Com a expectativa de que esses indicadores ainda venham a mostrar maior solidez com o passar dos meses, os especialistas da instituição acreditam que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, que já avançou 1,9% no segundo quarto, registre uma expansão de 2,2% nos próximos três meses, fechando 2009 com um crescimento de 0,5%.
Com a economia dando sinais de estabilidade, a expectativa do BofA Merrill Lynch é de que o crescimento comece a desacelerar a partir de 2010, repercutindo a retirada gradual das medidas adotadas pelo governo para combater a crise financeira. “Nós esperamos que o PIB trimestral cresça em média 0,7% em 2010, fechando o ano em 4,5%”, concluem os analistas.
México e Chile devem ficar atrás
Contrastando com o cenário brasileiro, tanto Chile quanto México, que viram seus produtos recuarem durante o terceiro trimestre de 2008 – enquanto Brasil, Colômbia e Peru retraíram apenas no último quarto do ano -, devem sair da recessão apenas no período compreendido entre julho e setembro deste ano, acreditam os especialistas.
No caso do Chile, a equipe de análise do banco norte-americano já consegue perceber alguns sinais de melhoria. Contudo, “por ser a economia latino-americana mais aberta, com forte penetração financeira internacional”, o ritmo de recuperação do país estará diretamente relacionado com a retomada da economia mundial.
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Já a economia da América Central chegou a registrar um forte declínio de 10,3% em seu PIB durante o segundo trimestre do ano – em comparação ao mesmo período de 2008. No entanto, os especialistas percebem uma expansão gradual da atividade industrial mexicana, o que, em conjunto com a guinada no setor automobilístico e a retomada da indústria dos EUA, deve trazer números melhores nos próximos três meses.
No entanto, devido à sua forte exposição aos norte-americanos, o México terá que esperar que os defasados indicadores de emprego e de renda da principal economia do mundo se estabilizem, assim como a confiança do mercado interno. Não esperando um “boom” na economia mexicana para este ano, o banco projeta um crescimento “moderado de 3% em 2010, em parte refletindo a fraca base de comparação”.
Níveis pré-crise? Não para todos
O cenário ligeiramente mais promissor dos latino-americanos tem contribuído para que as projeções de crescimento melhorem com o passar dos meses. Contudo, mesmo com toda essa euforia, os especialistas do BofA America Merrill Lynch afirmam que a retomada da atividade econômica da região para os níveis vistos antes do auge do colapso financeiro – em setembro de 2008, com a quebra do Lehman Brothers – ainda está longe de se tornar uma realidade para todos os países.
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Apesar dos cálculos realizados pelos especialistas da instituição mostrarem que tanto as economias brasileira quanto a peruana devam reestabelecer os patamares de atividade econômica apresentados no período pré-crise já neste próximo trimestre, a recuperação de Chile e México devem retardar um pouco mais.
Para os chilenos, as projeções apontam que o PIB apresentado no terceiro trimestre de 2008 se repita apenas no início de 2010. Já para os mexicanos, os números são menos otimistas, com a expectativa de que o nível antecessor ao colapso financeiro seja visto apenas em 2011.