BofA eleva Vale (VALE3) para compra e vê ação a R$ 100 com alta do minério

Desde o início do conflito com o Irã, os papéis recuaram 6,6%, enquanto o minério subiu cerca de 8%, o que, na visão do banco, abre uma oportunidade

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Divulgação/Vale
Divulgação/Vale

Publicidade

O Bank of America (BofA) elevou a recomendação para Vale (VALE3) de neutro para compra, destacando que a queda recente das ações não reflete a valorização do minério de ferro. Desde o início do conflito com o Irã, os papéis recuaram 6,6%, enquanto o minério subiu cerca de 8%, o que, na visão do banco, abre uma oportunidade. Às 11h18 (horário de Brasília) desta quinta-feira (2), as ações da mineradora caíam 0,40%, cotadas a R$ 82,67.

O preço-alvo foi elevado de R$ 95 para R$ 100, considerando maior produção de cobre no longo prazo, capaz de compensar pressões de custos relacionadas ao conflito.

O BofA ressalta que, com o minério a US$ 103 por tonelada (spot em US$ 108), a Vale apresenta um fluxo de caixa livre (FCF) com yield de cerca de 10%, considerado atrativo. Além disso, a tese de execução operacional segue sólida, e a mineradora está bem posicionada para lidar com os impactos do conflito.

O banco também destaca cinco pilares na tese de investimento: flexibilidade de portfólio, que permite adaptação ao mercado; crescimento em minério de ferro e cobre com produtos de maior valor agregado; disciplina em custos e investimentos; forte geração de caixa em relação aos pares; e avanços na redução de riscos.

1- Flexibilidade de portfólio

Uma das principais forças da Vale é a flexibilidade de seu portfólio de minério de ferro, que permite à companhia se adaptar a mercados em constante mudança. Segundo o BofA, a empresa tem reforçado a estratégia de priorizar valor em vez de volume, enxergando o aumento de capacidade não apenas como expansão de tonelagem, mas, principalmente, como ganho de opcionalidade.

2- Crescimento sólido

O BofA destaca que a Vale projeta atingir produção de 360 milhões de toneladas de minério de ferro até 2030 (ante 335-345 milhões atualmente) e 700 mil toneladas de cobre até 2035 (ante cerca de 350 mil). A estratégia prioriza crescimento com alto retorno, aproveitando sua ampla base de recursos e infraestrutura logística. O plano amplia a flexibilidade operacional, aumenta a oferta de produtos premium e expande a capacidade em cobre, metal cada vez mais estratégico.

Continua depois da publicidade

3- Disciplina de custos e investimentos

De acordo com o banco, ganhos de eficiência e uma abordagem disciplinada de investimentos levaram à redução de custos e capex nos últimos anos. Com investimentos projetados abaixo de US$ 6 bilhões e perspectivas de crescimento da produção mantidas, a Vale tende a gerar mais fluxo de caixa livre do que seus pares australianos, abrindo espaço para maiores retornos aos acionistas à medida que a participação de passivos não financeiros na dívida líquida diminui.

4- Redução de riscos

O BofA ressalta que cerca de US$ 5,4 trilhões em ativos sob gestão de fundos institucionais ainda estão impedidos de investir na Vale devido a questões ESG, até dezembro de 2024. O avanço na redução de riscos, incluindo acordos relacionados a Brumadinho e Samarco, descaracterização de barragens e redução dos níveis de emergência, é visto como essencial para destravar essas restrições. Um próximo gatilho relevante seria um possível acordo no processo de Mariana no Reino Unido, que pode liberar novos fluxos de investimento para as ações da companhia.

5- Melhor posicionada

O banco ainda avalia que a Vale está melhor posicionada que concorrentes para enfrentar os impactos do conflito. O aumento nos custos de diesel, bunker e frete afeta o setor, mas a empresa é menos exposta, já que a maior parte dos contratos de frete é de longo prazo. Além disso, o Brasil importa apenas entre 20% e 25% do diesel consumido, bem abaixo da dependência da Austrália, que varia entre 80% e 90%.