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Após passarem quatro dias em reuniões principalmente com clientes de ações em Londres e Paris, o Bank of America trouxe algumas visões mais negativas sobre a tendência de investimentos na América Latina.
Os investidores também demonstraram preocupação com os riscos de que taxas de juros globais mais altas afetem as moedas e os fluxos da América Latina.
As preocupações com o cenário externo, combinadas com os recentes desenvolvimentos políticos na região, estão levando os investidores a adotar uma postura mais cautelosa.
“Algumas semanas atrás, os clientes estavam esperando o fim da guerra antes de alocar risco adicional na América Latina. Agora, a principal questão é se eles precisam reduzir ainda mais a exposição à região”, avaliam os estrategistas David Beker e Paula Soto, que assinam o relatório.
Embora ainda não haja clareza sobre a duração da guerra entre o Irã e os EUA, os clientes acreditam que o dano já foi feito. Espera-se que os preços do petróleo permaneçam elevados, aumentando os riscos de inflação mais alta e crescimento global mais fraco. Os investidores com quem conversaram destacaram preocupações com o aumento das taxas de juros globais e seu impacto potencial nas moedas e fluxos da América Latina.
“Vale lembrar que um dólar fraco tem sido um fator-chave para as alocações na região”, aponta.
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A inflação mais alta ainda está aumentando o risco de que as taxas de juros permaneçam mais altas do que o esperado no início do ano. O Banco Central do Brasil implementou recentemente cortes de 25 pontos-base por reunião, mas alguns investidores acreditam que a autoridade monetária poderá ser forçado a interromper o processo em breve.
Assim, mesmo que o afrouxamento monetário continue, a magnitude dos cortes provavelmente não proporcionará alívio significativo para o setor corporativo. No México, o banco central interrompeu os cortes de juros, enquanto os lucros corporativos não estão crescendo e a incerteza em torno do USMCA se intensificou.
Clima político e rotação para techs
Soma-se a isso a sinalização de que o clima político também está mudando. No início do ano, uma possível guinada à direita em vários países da região foi citada como um fator favorável para as alocações em ações.
Atualmente, os investidores veem uma incerteza significativamente maior em relação aos resultados eleitorais na Colômbia, no Peru e no Brasil. “No Brasil, os investidores observaram que uma possível reeleição do presidente Lula implicaria continuidade das políticas. A maior preocupação se concentra em possíveis vitórias de esquerda na Colômbia e no Peru e suas implicações para a direção das políticas”, aponta.
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Por fim, os fluxos contínuos de ações de valor para ações de tecnologia continuam a pesar sobre o interesse na América Latina.
“Uma redução desses fluxos poderia ajudar a reverter as recentes saídas de capital estrangeiro do Brasil, em particular”, apontam Beker e Paula.
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Para a equipe, apesar da recente correção nos preços das ações na América Latina, as avaliações ainda não parecem ser consideradas suficientemente atraentes.
“A forte alta acumulada no último ano também está provocando a realização de lucros, dada a mudança na percepção do cenário global. Uma eventual diminuição das preocupações com o aumento dos rendimentos globais também poderia desencadear fluxos para a região”, conclui o banco.
