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Apesar do entusiasmo com a possível retomada total dos fluxos de petróleo do Oriente Médio nas próximas semanas, após o anúncio do acordo de paz entre EUA e Irã no último domingo, o Bank of America alerta que o mercado pode estar subestimando uma série de desafios operacionais relevantes. O petróleo vem registrando queda desde o anúncio, refletindo a redução do prêmio de risco geopolítico e a precificação de maior normalização da oferta.
Segundo o banco, a remoção de minas e a normalização dos fluxos não deve ocorrer de forma rápida. O processo tende a levar meses, e não dias, devido às complexidades logísticas envolvidas. Nesse cenário, o mercado de petróleo poderia permanecer em déficit até o quarto trimestre de 2026.

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As estimativas do BofA indicam ainda que as perdas de produção desde o início da guerra variaram entre 11 milhões e 14 milhões de barris por dia, com esse choque de oferta sendo parcialmente compensado por racionamento da demanda e uso de estoques. Esse episódio levou a guerra Irã-Israel a se tornar a maior interrupção de oferta da história do setor, superando choques históricos como a Revolução Iraniana de 1979 e a primeira Guerra do Golfo, em 1991.
No balanço de oferta e demanda, o banco projeta que o mercado global de petróleo deve registrar um déficit médio de 2,6 milhões de barris por dia em 2026, revertendo o superávit de cerca de 2 milhões de barris por dia que era esperado antes do conflito.
Brent deve atingir média de US$ 70 por barril em 2027
O BofA avalia que três fatores tornaram a crise energética desencadeada pela guerra do Irã mais administrável do que o inicialmente temido. Primeiro, o mercado de petróleo caminhava para um superávit de cerca de 2 milhões de barris por dia em 2026 nas projeções originais do banco, o que criou uma margem relevante para absorver choques de oferta.
Segundo, os estoques globais, tanto em terra quanto em navios, estavam em níveis elevados, funcionando como um importante amortecedor. Terceiro, governos, incluindo a China, promoveram a maior liberação já registrada de estoques estratégicos de petróleo, contribuindo para suavizar o impacto do choque.
Nesse contexto, o banco afirma que uma combinação de fatores, como cancelamentos de produção no primeiro semestre de 2026 e a forte demanda por recomposição de estoques, deve sustentar os preços do petróleo em 2027. A projeção do BofA é de que o Brent tenha média de US$ 70 por barril em 2027, mesmo com um provável superávit de cerca de 1 milhão de barris por dia, caso o acordo de paz se mantenha.
Mercado de gás
O BofA avalia que estoques baixos na Europa seguem sustentando o TTF (referência de preço do gás natural na Holanda e principal benchmark europeu) no curto prazo, enquanto limitações na retomada da oferta de LNG (gás natural liquefeito) pelo Catar adicionam pressão de oferta.
Ainda assim, um eventual acordo com o Irã tende a reduzir os preços globais de gás, levando o banco a cortar sua projeção do TTF para 50€/MWh (euros por megawatt-hora) no segundo semestre de 2026. Mesmo com essa revisão, o mercado europeu de gás deve permanecer apoiado no curto prazo devido à janela estreita de recomposição de estoques antes do inverno.
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