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SÃO PAULO – O mercado começa a traçar suas expectativas em relação à próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que será realizada nos dias 19 e 20 de abril. Porém, a leitura em relação ao tamanho do aperto gera dúvida. Enquanto a situação para a inflação corrente e esperada continua a preocupar, a autoridade monetária tem se esforçado para mostrar ao mercado que a situação está sob controle.
Para o Bank of America Merrill Lynch, os esforços recentes do BC – sobretudo com o anúncio de novas medidas macroprudenciais – justificariam um aumento menor da Selic, de 25 pontos-base. Porém, tendo em vista que o quadro inflacionário continua se deteriorando, a melhor estratégia seria manter o ciclo de elevação em 50 pontos-base, levando a Selic a 12,25% ao ano.
Pisando no freio
David Beker, analista do BofA, cita a comunicação do BC como um indício de que pode haver diminuição no ritmo de aperto monetário. No último relatório de inflação, a autoridade sinalizou que seria possível um cenário alternativo, com ritmo de arrocho monetário diferente. Os recentes anúncios de aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para captações no exterior e operações de crédito, também chamados de medidas macroprudenciais, reforçam essa ideia.
De fato, alguns economistas têm analisado esse papel da comunicação do BC com o mercado, evidenciando a difícil tarefa que o Governo tem de impactar as expectativas dos agentes para mostrar um cenário mais benigno a longo prazo.
Beker também explica que se o dólar chegasse a R$ 1,50 com a apreciação do real, a inflação no final do ano poderia recuar em 30 pontos-base. “O número não traria um grande alívio, mas qualquer ajuda seria bem-vinda com a inflação bem próxima do teto” da meta, afirma o analista.
Mas o cenário é outro
Mesmo considerando os eventos acima, a pressão inflacionária não está dando trégua à economia brasileira. Para o analista do banco, após a última reunião do Copom, em março, a inflação continuou preocupando, com perspectivas de alta. Isso leva a uma correção de expectativas do mercado, que, temendo o eventual aumento futuro, já começa a ajustar seus preços. As expectativas de inflação para 2012 também são de alta.
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Tendo em vista esse cenário nada animador, Beker explica que a estratégia preferida pelo BC deveria ser um aumento de 50 pontos-base, dando assim mais tempo para que as medidas macroprudenciais possam conter o avanço do crédito.