Bob Doll: recuperação dos EUA é obscura e depende do mercado de trabalho

Outra das maiores incertezas na perspectiva dos EUA é o chamado "rochedo fiscal", que pode frear o crescimento do país

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SÃO PAULO – A recuperação dos EUA continua, mas as questões da dívida, somadas ao momento ruim na Europa, fazem os investidores ainda permacerem pouco confortáveis sobre o estado da economia da potência norte-americana, acredita o estrategista-chefe da BlackRock, Bob Doll em seu mais novo relatório de análise do mercado. 

“Os dados têm sido misturados nos últimos meses, mas continuam a apontar para uma recuperação modesta”, diz o especialista. Ele destaca que o setor empresarial continua a ser uma fonte de força, e a incerteza do consumidor parece estar se diluindo. Na mesma linha, ele enxerga também algumas melhorias no mercado imobiliário assim como das condições de crédito, com empréstimos bancários aumentando nas últimas semanas.

“Muito ainda depende do mercado de trabalho e nós estamos esperando para ver se o crescimento da massa salarial continuará a se recuperar modestamente, o que deve ajudar a impulsionar a economia global”, explica o estrategista da Black Rock.

Doll acredita que uma das maiores incertezas na perspectiva dos EUA é o chamado “rochedo fiscal”. Na última semana, o escritório de Orçamento do Congresso alertou que a economia do país provavelmente cairá em uma recessão se todos os aumentos de impostos e cortes de gastos previstos para ter efeito em janeiro de 2013 realmente entrar em vigor.

“Nós ainda acreditamos que em algum momento os políticos eleitos se reunirão para tentar atrasar ou reestruturar algumas das políticas fiscais e de gastos programadas, mas a sensação de incerteza sobre esta questão continua a ser negativa para a economia e os mercados financeiros”, alerta Bob Doll.

Por fim, o especilista segue otimista com o cenário econômico e com os ativos de maior risco no campo dos investimentos. “Dada a nossa visão de que a crise da dívida europeia deve permanecer razoavelmente bem contida e nossa crença de que a recuperação dos EUA continua no bom caminho, nossa perspectiva para ativos de risco continua a ser uma forma positiva”, conclui.