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SÃO PAULO – Faltando 14 dias para as eleições presidenciais norte-americanas, o estrategista-chefe da Black Rock, Bob Doll, ressalta a diferença entre os candidatos republicano e democrata e o impacto que o resultado das eleições pode ter para o mercado financeiro.
De acordo com Doll, a maneira como o “fiscal cliff” (abismo fiscal) será resolvido irá determinar o andamento da economia, das ações e os setores que irão performar melhor no próximo ano. As análises das implicações devem depender do atual ambiente econômico dos EUA; no momento, a economia ainda está operando em meio a um cenário de recessão financeira e desalavancagem em curso. Além disso, avalia o estrategista-chefe, há outros problemas de política fiscal que precisam ser abordados além do “fiscal cliff”.
Se nada for feito, acredita Doll, as alíquotas de impostos sobre os ganhos com dividendos serão as primeiras a aumentar a partir de primeiro de janeiro de 2013. Para ele, as expectativas é de um aumento das taxas de dividendos pagos; entretanto, é improvável que eles voltem aos níveis pré-corte de taxas do governo Bush.
Contudo, o estrategista destaca que os EUA não são o único lugar onde a política continuar a ser uma fonte de incerteza econômica. Dentre as maiores mudanças, está a nova política do BCE (Banco Central Europeu), que tem agora a aprovação dos políticos alemães.
Fiscal cliff gera incerteza sobre consumo e investimentos
Com o aumento da confiança dos consumidores norte-americanos, os gastos devem aumentar. Entretanto, a preocupação com o iminente “fiscal cliff” deve gerar mais temores sobre o crescimento dos investimentos das empresas. Assim, as perspectivas para o consumo e o investimento dependem criticamente se o abismo será evitado, aponta Doll. Além disso, aponta, um potencial aumento de impostos pode pesar ainda mais no consumo se for feito no final do ano, comprometendo ainda mais a economia do país.
“Perante este cenário, a economia dos EUA continua a se arrastar, não porque não seja forte, mas mais ainda porque a incerteza parece ter feito as contratações e os níveis de investimentos caírem”, aponta o estrategista. Olhando mais para frente, uma diminuição desse marasmo com uma política fiscal mais apertada no próximo ano seria um grande ponto positivo para a economia e para o sentimento do investidor, avalia o analista.