Bob Doll acredita em continuidade do mercado em alta, mesmo com realizações

Para gestor da BlackRock, uma série de fatores farão com que a correção não tenha vida longa e bull market predomine

Publicidade

SÃO PAULO – Para o vice-presidente e estrategista-chefe da BlackRock, Bob Doll, mesmo com um período de correção à vista, decorrente de um excesso nos mercados e de incertezas em relação ao Goldmans Sachs, é pouco provável que o movimento de realizações tenha vida longa. Salvo algum evento surpresa ou erro na condução de políticas econômicas, “acredito que o atual bull market irá continuar”, avaliou em seu relatório semanal. 

Essa percepção leva em conta a economia em recuperação, as baixas taxas de juros, ganhos corporativos fortes e valuations razoáveis, de forma que o mercado de ações continuará a ter performance superior aos Treasuries e à inflação ao longo deste ano. 

Sinais
Para Bob Doll, os dados econômicos mostram que a recuperação econômica tem se dado em um ritmo mais forte do que era previamente esperado, “graças em grande parte aos massivos estímulos econômicos e fiscais provisionados ao redor do globo”, salienta.

O gestor explica que a recuperação inicial foi impulsionada principalmente por uma retomada da indústria e dos estoques, e esse ímpeto agora espalha-se também por outros setores da economia. A demanda, tanto de consumidores quanto de empresas, está aquecida, mesmo que esse aumento, por parte dos consumidores, seja derivado da poupança, e não de incremento na renda.

“Essas tendências mostram que a produção ainda não está acompanhando a demanda, o que é um bom augúrio para o recente boom”, indica Bob Doll. E, para completar, os resultados corporativos também exibem força. A primeira leva, ressalta o gestor, de balanços referentes ao primeiro trimestre de 2010 mostraram que 81% das empresas trouxeram receitas mais fortes do que era esperado, e os lucros de 79% delas ultrapassaram as estimativas iniciais. 

Assim, esse movimento levou as projeções para 2010 a serem reposicionadas para patamares mais altos. 

Continua depois da publicidade

Ventos 
Por outro lado, existem alguns ventos nem tão favoráveis para o médio e longo prazo, trazidos por déficits em expansão e perspectivas de aumento dos juros, o que irá restringir o crescimento no futuro. 

Bob Doll aponta também para as dificuldades maiores enfrentadas pela Europa, que embora tenha saído da recessão, tem sido prejudicada por sua “inabilidade” em unificar planos de combate a crises fiscais.