Boas práticas podem reduzir pegada ambiental da pecuária

A pecuária responde por 17% das emissões de gases de efeito estufa do País

Publicidade

SÃO PAULO – Um estudo apresentado na última terça-feira (12), em São Paulo (SP), destaca que a expansão de boas práticas de manejo e produção na cadeia produtiva da pecuária pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa do segmento, desde o campo até o varejo, em pelo menos 16 milhões de toneladas de CO2, quantidade semelhante ao total emitido pela Bolívia anualmente.

De acordo com o relatório, elaborado pela empresa Carbon Trust, especializada no incentivo à economia de baixo carbono, a despeito de sua importância econômica – gerando em torno de US$ 13 bilhões anuais em receita – a bovinocultura brasileira tem um impacto ambiental considerável. A pecuária responde, por exemplo, por 17% das emissões de gases de efeito estufa do País.

Para diminuir a pegada ambiental do agronegócio da carne bovina, o documento propõe a implantação de um programa de financiamento e assistência técnica que promova a adoção de práticas sustentáveis em todos os elos da cadeia produtiva.

Segundo João Lampreia, gerente da Carbon Trust no Brasil, entre as medidas que podem ser adotadas pelo pecuarista estão, por exemplo, a recuperação de pastagens degradadas, o manejo mais adequado do pasto e a combinação da atividade junto com a agricultura e florestas plantadas. Por sua vez, disse Lampreia, os frigoríficos podem melhorar sua geração e utilização de calor para reduzir contas de combustíveis e eletricidade.

De maneira geral, destacou Lampreia, as soluções tecnológicas são conhecidas e provadas, mas ainda não são implantadas em escala por falta, especialmente de recursos. A viabilização do programa, que conta com apoio dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, bem como do BNDES, além da indústria local, instituições especializadas e ONGs, requer, ao menos, cerca de US$ 120 milhões, recursos que a Carbon Trust planeja levantar via financiamento internacional.