Boas notícias fazem Petrobras disparar; Light chega a cair 4% com Zelotes, mas zera

Confira as principais variações da Bovespa nesta segunda-feira (13)

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Petrobras (PETR3, R$ 12,77, +7,95%; PETR4, R$ 12,63, +6,85%) 
O noticiário para a Petrobras segue movimentado e as ações registram forte alta, entre notícias sobre possível nova emissão de ações, expectativa sobre divulgação de resultados e possíveis mudanças no regime de partilha

De acordo com o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, não há muitas novidades, mas uma série de boas notícias faz os papéis da companhia dispararem, apesar da alta ser considerada “exagerada” por ele.

Em primeiro lugar, o fluxo dos estrangeiros após a abertura da Bolsa americana influencia positivamente o índice, em meio ao cenário de maior “calmaria” política, com a relação amistosa entre Dilma Rousseff e Joaquim Levy, enquanto os protestos de domingo se mostraram mais fracos em relação aos de março, o que deve dar maior tempo para o governo responder aos protestos. 

Soma-se a isso a notícia do Broadcast que a Petrobras pretende vender a participação que detém na Braskem, controlada pela estatal em conjunto com a Odebrecht, como parte do plano de desinvestimentos da ordem de US$ 13,7 bilhões. A alta do petróleo também contribui para que as ações da companhia tenham forte alta, afirma o estrategista.

E, segundo informações da Bloomberg, cada vez mais, deputados e senadores tanto da oposição quanto aliados do governo concordam em abrir a exploração das áreas do pré-sal a petrolíferas estrangeiras.

Segundo eles, o escândalo de corrupção da Petrobras e a enorme quantia de dívida da estatal limitam sua capacidade de desenvolver estas áreas. Há pelo menos 3 projetos de lei em comissões do Congresso que propõem a mudança do modelo de partilha ou eliminam exigência de que Petrobras participe de todos os leilões do pré-sal.

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Enquanto isso, olhando para os resultados, a companhia reconhece que as perdas contábeis ainda está sendo avaliadas, ainda não há data para divulgação do balanço. Já as indicações dos jornais são de que o resultado pode sair entre o dia 17 e o dia 20. 

E, com a alta do dólar, o mercado espera nova emissão de ações da Petrobras, segundo a Folha de S. Paulo. A discussão, sempre latente, voltou à mesa depois da empresa ter obtido empréstimo com a China, no valor de US$ 3,5 bilhões, há duas semanas. A estatal não se pronunciou sobre o assunto.

E, segundo o mesmo jornal, o dólar ameaça o ganho da Petrobras com sobrepreço de combustíveis. Após quatro anos de perdas com defasagens nos preços de combustíveis, que lhe causou rombo estimado em até R$ 90 bilhões, a companhia conseguiu recuperar R$ 6,4 bilhões na venda de gasolina e diesel com a queda de 60% na cotação do óleo entre julho e janeiro. Contudo, a alta do dólar está eliminando o benefício. Segundo o CBIE, outro aumento dos preços é urgente, uma vez que a oportunidade com a desafagem positiva esta definitivamente acabando. 

Por fim, o acionista da Petrobras, BRAM (Bradesco Asset Management), onde Joaquim Levy atuava, indicou dois nomes para o Conselho de Administração da companhia: Eduardo Bunker Gentil para membro pelos ordinaristas minoritários e Otávio Yazbek como membro pelos preferencialistas.

Light (LIGT3, R$ 14,20, -0,01%)
A companhia Light viu suas ações caírem fortemente após serem citadas na Operação Zelotes. De acordo com informações do jornal O Globo, os processos somam R$ 929,3 milhões. Contudo, os papéis amenizaram fortemente as quedas. 

De acordo com a reportagem, uma troca de e-mails entre dois conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) mostra tentativas de negociatas com a empresa do setor de energia. Na conversa, o ex-conselheiro Nelson Mallmann trata com o ex-sócio Paulo Roberto Cortez sobre os casos da Light e da Ampla, outra distribuidora do Estado.

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Pão de Açúcar  (PCAR4, R$ 101,89, +0,68%
As ações do Grupo Pão de Açúcar têm leve alta após os dados operacionais do primeiro trimestre. A companhia teve receita líquida consolidada de 17,2 bilhões de reais no primeiro trimestre, crescimento de 14,8 por cento na comparação com o mesmo período do ano passado, informou nesta segunda-feira.

As vendas no conceito mesmas lojas tiveram avanço de 4 por cento no período, com destaque para a Cnova (19,5 por cento) e para o segmento Alimentar (3,7 por cento), impulsionado pela marca Assaí e melhora sequencial da bandeira Extra.

Brasil Pharma (BPHA3, R$ 0,84, 0%)
As ações da Brasil Pharma, braço de varejo farmacêutico controlado pelo BTG Pactual (BBTG11), zeraram após atingirem máxima de 7,14% mais cedo, em meio às notícias de que a empresa poderá receber novo aporte de capital do banco, segundo fontes consultadas pelo ‘Broadcast’, serviço em tempo real da ‘Agência Estado’. Em um amplo processo de reestruturação desde 2013, a companhia anunciou, no mês passado, nova mudança no comando da companhia – a segunda troca em 12 meses.

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Os recursos terão como finalidade melhorar o caixa da companhia diante do aumento da alavancagem e necessidade de investimentos na integração dos negócios. O valor da possível injeção de capital ainda não está definido. As ações da companhia subiram 21,74% ontem, negociadas a R$ 0,84, com a expectativa desse novo aporte.

Vale (VALE3, R$ 18,75, +1,68%; VALE5, R$ 15,55, +1,24%)
O noticiário negativo sobre a China e à perspectiva sobre a reunião do Conselho leva a um dia volátil para as ações da Vale. As ações chegaram a cair, mas o maior ânimo da bolsa fez com que as ações chegassem a subir mais de 1%. No gigante asiático, as exportações tiveram contração de 15% em março ante um ano antes. A queda inesperada deixou a China com um superávit comercial de US$ 3,1 bilhões no mês passado, muito abaixo das previsões de um superávit de US$ 45,4 bilhões.

Cabe lembrar que, nesta terça-feira, o conselho de administração da Vale deve analisar proposta da diretoria executiva de pagamento da primeira parcela de remuneração mínima aos acionistas, no valor total bruto de US$ 1 bilhão, conforme já anunciado em 30 de janeiro. A remuneração será paga integralmente sob a forma de JCP e refere-se à antecipação da destinação do resultado e reservas de 2015. Caso a proposta seja aprovada, a Vale fará o pagamento no dia 30 de abril.

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Sabesp (SBSP3, R$ 17,81, +1,48%)
As ações da Sabesp registram alta nesta sessão, em meio às perspectivas sobre a audiência pública sobre a proposta de revisão tarifária extraordinária na próxima quarta-feira.

 A Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp) autorizou um reajuste de 13,8% nas contas de água e esgoto da Sabesp. A estatal havia pedido uma revisão extraordinária da tarifa ao órgão alegando “risco ao equilíbrio econômico-financeiro” por causa dos prejuízos provocados pela crise hídrica no Estado. 

Copasa (CSMG3, R$ 18,44, +1,99%)
A ação da Copasa registra alta na sessão desta segunda, após a companhia informar na última sexta-feira que a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (ARSAE-MG) autorizou o reajuste das tarifas de água e de esgoto da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para 2015.

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O índice autorizado é de até 15,04%, com aplicação por um ano a partir de 13 de maio. Segundo a agência, a elevação de 62,22% nos custos de energia elétrica da Copasa foi o principal fator que contribuiu para o aumento das tarifas de água e de esgoto. Só a energia elétrica contribuiu com 5,58 pontos percentuais do índice total autorizado.

Pine (PINE4, R$ 5,33, -3,79%)
As ações do Banco Pine têm forte queda, após a Moody’s rebaixar mais uma vez nota de crédito do banco, que 
agora está em Ba3. A nota é considerada pela agência como “grau especulativo”. Se houver mais um rebaixamento, a nota de crédito do Pine cai para o nível de uma empresa que “carece de características de um investimento desejável”.

Um dos motivos apresentados pela Moody’s para a nova classificação, apenas dois meses depois de já ter rebaixado a nota do banco, é que o Pine deverá ter de aumentar as provisões contra perdas de crédito. O banco está exposto a empresas construtoras que são alvos da Operação Lava Jato e também ao setor de açúcar e álcool, que tem passado por grandes dificuldades, com dezenas de usinas em recuperação judicial.

Anima (ANIM3, R$ 18,34, +2,06%)
As ações da Anima têm alta superior a 2%. A companhia informou que o processo de captação das instituições de ensino mantidas pelas controladas da Anima Educação alcançou o volume recorde de 26,8 mil novos alunos na graduação presencial, um crescimento de 63,8% em relação à captação do primeiro semestre de 2014. Em uma análise Pro Forma, considerando a São Judas desde o início de 2014, o crescimento foi de 2,8% em relação ao mesmo período em 2014.

“Com relação à base de alunos de Graduação Presencial, também atingimos um novo recorde com 82,8 mil alunos matriculados no primeiro semestre de 2015, crescendo 58,5% em relação à base de alunos do primeiro semestre de 2014. O crescimento Pro Forma foi de 6,1% em relação à base do primeiro semestre do ano passado”, informou a empresa em comunicado ao mercado.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.