BNP vê crescimento zero para o PIB em 2015 – e a situação pode piorar com racionamento

BNP espera que PIB vá a zero, inflação a 7% e que Selic fique em 13%; em cenário de racionamento, economia deve sofrer recessão, segundo Marcelo Carvalho

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SÃO PAULO – As previsões do BNP Paribas para a economia brasileira em 2014 e 2015 não são nada otimistas mesmo com a nova equipe econômica que deve ser anunciada pela presidente Dilma Rousseff (PT) até a quinta-feira. O banco francês espera crescimento do PIB próximo de 0% tanto neste ano quanto no próximo, aliado a uma inflação crescente, que deve chegar a 7% em 2015 mesmo com o novo ciclo de alta iniciado pelo Copom em sua última reunião. É o que afirma o economista chefe para América Latina da instituição, Marcelo Carvalho.

“[Para 2015] Muitas casas ainda esperam crescimento acima de 1%, nós achamos que não, que a economia vai andar de lado”, explicou. O PIB pode ter desempenho ainda pior caso haja racionamento de energia, o que, para o economista, não é tão improvável assim. “O potencial de estrago é de um a dois pontos percentuais com racionamento”, afirmou.

Já com relação a inflação, o BNP prevê uma variação do IPCA em 6,5% em 2014 e 7% em 2014, acima do limite de tolerância, principalmente pela pressão dos preços administrados de combustíveis e tarifas de energia. “Essas tarifas que vêm sendo reprimidas serão liberadas no ano que vem”, acredita Carvalho, que também prevê um aumento da taxa Selic até 13% em 2015 para conter o aumento nos preços.

O motivo para tamanho pessimismo é a conjugação de um cenário doméstico difícil com um quadro externo cada vez menos propício. Com o aumento dos juros básicos da economia americana no ano que vem “o fluxo de capital internacional deve cair no Brasil”, lembrou. Além disso, o aumento dos juros também trará um dólar mais valorizado e uma queda no preço das commodities, o que deve pressionar ainda mais o desempenho do PIB brasileiro no ano que vem.

O economista ainda pontuou que mesmo com uma equipe econômica vista como mais qualificada a realizar os ajustes necessários para melhorar o atual cenário econômico, 2015 será um ano difícil. Para ele, a área que precisa sofrer correções mais rapidamente. “A minha impressão é que do lado da despesa, é muito difícil fazer ajustes fortes de curto prazo, já que a maior parte dos nossos gastos é fixada em lei”. Ele acredita que, do lado da despesa, os cortes venham nos investimentos e que, do lado da receita, haverá aumento dos impostos.

Quanto ao que esses ajustes na política monetária e na política fiscal resultarão, Carvalho vê um quadro de aumento do desemprego no ano que vem, justamente o dado mais apregoado pela presidente Dilma para justificar a condução da política econômica nos últimos quatro anos.