Macroeconomia

BNP Paribas prevê queda de 2% no PIB, mas se diz “razoavelmente confiante” com Brasil

Cenário global é de recuperação e crescimento, mas o Brasil ainda preocupa; inflação pode até superar 9% neste ano e dificilmente o governo baterá a meta fiscal de 2015

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SÃO PAULO –  Cenário global é de recuperação e crescimento, mas o Brasil ainda preocupa; enquanto isso, a inflação pode até superar 9% neste ano e dificilmente o governo baterá a meta fiscal de 2015.

Esta é a avaliação de Marcelo Carvalho, economista chefe para América Latina do BNP Paribas, durante apresentação do relatório trimestral de projeções macroeconômicas do banco. A apresentação, intitulada “razoavelmente confiante”, mostra que a economia global está em recuperação, embora o Brasil ainda deva trazer números pouco satisfatórios.

Segundo o relatório, a economia global deve mostrar crescimento de 3,1% em 2015, abaixo dos 3,3% registrados em 2014. Já o Brasil deve apresentar queda de 2% no PIB (Produto Interno Bruto), diz Carvalho. A projeção de inflação para 2015 é de 9% mas pode superar esse patamar, enquanto a meta fiscal dificilmente será alcançada, afirmando que o mercado não acharia “absurdo” que o governo revisasse esse número.

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EUA
Com uma economia em recuperação, o país teve um primeiro trimestre fraco graças ao inverno que veio mais rigoroso este ano e afetou a atividade, junto à greve dos portos na Costa Oeste, mas que apesar disso há uma recuperação com o aumento dos salários e do emprego.

Sobre os juros, o aumento na taxa de juros deve vir a partir da reunião de setembro, seguindo aumento gradual durante todo o ano que vem. Em ritmo de um aumento a cada duas reuniões, quase um a cada trimestre, a projeção do BNP é de quatro aumentos de 0,25 pontos base, chegando a 2% no ano que vem. Mesmo não sendo um aumento dramático, a taxa de juros, que não sobe há quase dez anos e que atualmente está perto dos 0%, pode trazer volatilidade ao mercado financeiro.

Grécia
Para o economista chefe, Marcelo Carvalho, a situação atual da Grécia está sendo “empurrada com a barriga”. O país almeja chegar finalmente em um acordo, mas não chegam à um consenso.

A hipótese de um eventual calote do país, sem um acordo e sem poder cumprir com suas obrigações, tem gerado a mesma pergunta: o que acontece se não houver solução? “No quadro, quem mais sofre é a Grécia, não a Europa como um todo. A exposição que a região do euro tem pra Grécia é limitada. O impacto é significativo no país, que já está em profunda recessão.”, disse o economista durante a coletiva ao vivo.

Em uma projeção do mercado financeiro global, pode haver uma desvalorização do euro e, em momentos de maior incerteza, uma corrida para portos seguros como o dólar, valorizando a moeda. Além disso, pode acontecer uma alta no custo das dívidas de outros países periféricos à Grécia.

“Minha preocupação maior é com o Fed subindo os juros do que com a Grécia”, disse Carvalho sobre o cenário brasileiro ao afirmar que a crise grega não deve nos afetar drasticamente. 

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Brasil
Ao falar de Brasil, o economista ressaltou que a economia sob nova direção é um fato positivo, apesar do crescimento negativo e da inflação em alta contínua.

Com um primeiro trimestre ruim, a expectativa de um terceiro trimestre incerto e ainda sem os dados do segundo, a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) vem ruim sob o olhar já pessimista do BNP Paribas. O economista chefe projeta um quadro de PIB perto dos -2% e um terceiro trimestre fraco, mas não tão ruim quanto o primeiro.

“Se tudo der certo, no final do ano pode haver algum sinal de recuperação, gerando um aumento leve de 0,5 ponto percentual no ano que vem.”, disse Carvalho. Assim, o risco é corrigido sempre para baixo: “Quando a economia é difícil no segundo semestre, existe um efeito de carregamento negativo esperado para o ano que vem, gerando um ajuste difícil na recessão já presente”.

No cenário que se materializa, o Banco Central deve aumenta a taxa de inflação,  de acordo com a expectativa, convergindo para os 9%, um número maior do que a “turma” do mercado esperava. “Nossa projeção parecia alta, mas hoje já é consenso do mercado e do próprio Banco Central, que revisou os números exatamente para 9%. Se errarmos é porque o risco foi corrigido pra cima, aumentando ainda mais a taxa. A inflação deve ir além de 9% até recuar perto de novembro.”, afirmou o economista.

Apertando a política monetária e reancorando a expectativa da inflação, a expectativa dos juros é de queda para o ano que vem, mas dificilmente chega a meta de 4,5%, alcançando algo perto dos 6%.

O que parecia muito alto quando se falava em uma Selic batendo os 14%, hoje já é considerado baixo quando a expectativa é que ela chegue a 14,5%, com um aumento de 0,5 p.p na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) e mais 0,25, a projeção é de 14% ainda este ano. Esatagnada, deve voltar a cair perto do segundo trimestre do ano que vem, chegando a 12,5%.

A taxa de juros que ia bater 14% esse ano, parecia alta, hoje já é baixa. Chega a 14,5% esse ano. Mais 0,5pp agora e mais 0,25pb – levando os juros a 14% ainda esse ano, estagna ate ano que vem, volta a cair por volta do segundo tri do ano que vem, chegando a 12,5% ano que vem

“O Brasil está atravessando um ano de ajustes, crescimento negativo, inflação alta e um Banco Centreal subindo juros. Está difícil no curto prazo,mas melhor no médio prazo. É um período de ajuste doloroso neste ano, mas achamos que o futuro tem uma política econômica melhor que a do passado.”, concluiu o economista.

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Além disso, é provável que a Moody’s e a Fitch, duas das maiores agências de classificação de risco do Mundo, baixem o rating do Brasil.