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SÃO PAULO – Em mais uma tentativa para estimular o mercado de crédito, o Federal Reserve deu início na última semana ao programa de compra de Treasuries de longo prazo. Impedido de promover alívio monetário por meio da redução do juro básico, já próximo de zero, a medida alternativa da instituição é alvo de grande expectativa entre os analistas.
Na avaliação dos mais pessimistas, pairam as incertezas com os riscos decorrentes do processo, como um potencial avanço da inflação nos próximos meses. Do outro lado, muitos defendem que a medida terá efeitos bastante positivos na economia norte-americana, principalmente através dos benefícios ao setor imobiliário.
A equipe do BMO (Bank of Montreal), por exemplo, lembra que o Fed não está comprando títulos públicos com o intuito de aliviar o déficit orçamentário do país, mas sim para minimizar os custos dos empréstimos e facilitar a captação de recursos destinados ao crédito imobiliário.
Otimismo x receio
Contudo, a exemplo dos mais desconfiados, os analistas da instituição também demonstram sua parcela de preocupação com o rumo dos preços no país. Lembrando que a decisão envolve a injeção de dinheiro impresso na economia, eles não descartam um aumento considerável da inflação no longo prazo, podendo chegar ao maior nível desde a Grande Depressão.
Paralelamente, o banco canadense aponta a possibilidade de que o apetite dos investidores estrangeiros pelos Treasuries, especialmente a China, caia com a iminente diminuição dos rendimentos das notas. A fraca procura pelos títulos nas últimas sessões já poderia sinalizar o receio dos compradores quanto à real segurança desta aplicação.
Independente dos desdobramentos da maior agressividade implementada na política do Fed, a equipe do BMO afirma que o Banco Central norte-americano terá uma difícil jornada para atingir seus objetivos com a compra dos Treasuries. Jornada esta que pode ser facilitada com o fim da recessão na maior economia do mundo, lembram os especialistas.