BMO comenta tombo das commodities, mas espera por suporte aos preços

Analistas delineiam porquês dos recuos recentes e veem barril de petróleo WTI em US$ 78 no fim de 2010

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SÃO PAULO – Com as preocupações crescentes em torno dos déficits gêmeos (em conta corrente e fiscal) da Grécia, investidores direcionaram seus portfólios a ativos de menor risco, o que explicaria o recuo recente no mercado de commodities.

É com esse olhar que a BMO Capital Markets avalia os tombos recentes dos bens primários, explicitado pela variação negativa de 2,1% do índice BMO Capital Markets Commodity em fevereiro, que atingiu 168,5 pontos (partindo da base de 100 pontos em 2003).

Notícias conflitantes
Conforme a equipe de research, apertos monetários na China também deram sua parcela de contribuição ao declínio das commodities, que também refletiram os temores crescentes em torno de uma disputa comercial entre os norte-americanos e os chineses.

“Nós provavelmente veremos volatilidade considerável nos próximos meses, à medida que os mercados continuam a digerir notícias econômicas conflitantes”, discorrem os analistas, em referência aos fatos citados acima.

Entretanto, a BMO Capital Markets acredita que os preços das commodities deverão manter sua sustentação com base no acúmulo de evidências sobre uma recuperação sustentável da economia global, a qual deverá impulsionar a demanda.

Recuos na demanda
Dividindo as commodities, a instituição relata que seu índice Oil & Gas marcou declínio de 4,2 pontos no último mês, ao atingir 169,8 pontos (de uma base 100 em fevereiro de 2003). Para os analistas, tal queda deve-se a dois fatores: as maiores importações de GNL (gás natural liquefeito) e pela fraca demanda pelos bens – petróleo e gás natural.

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Já em relação ao índice Metals & Mining, compilando os metais cobre, alumínio e níquel, a BMO Capital Markets avalia que os temores fiscais na Grécia levaram os investidores a ativos de menor risco, justificando a queda de 4,6 pontos do indicador em fevereiro, que chegou a 236,4 pontos (da base 100 no mesmo mês de 2003). Além disso, “a valorização do dólar reduz a atratividade de metais preciosos, pressionando seus preços para baixo”.   

Petróleo em foco
A equipe de research dedica um olhar especial ao petróleo, ressaltando que, a despeito dos tombos recentes, a cotação do barril de óleo bruto ainda permanece quase duas vezes maior em relação aos patamares vistos antes da recessão norte-americana. “Apesar dos preços terem mostrado certa estabilidade na vizinhança de US$ 80,00 por barril, permaneceram suscetíveis [a notícias ruins]”, completam os analistas.

À frente, a BMO Capital Markets divide sua análise em duas faces. Do lado da oferta, a instituição enfatiza que os estoques listados por paises da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de petróleo e de outros produtos ainda estão acima da média.

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“Enquanto a produção sem ser da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) provavelmente permanecerá estável neste ano, a produção da Opep mostra tendência ascendente, à medida que os países-membros excedem suas quotas”, discorre a BMO Capital Markets.

Por outro lado, o da demanda, os analistas avaliam que o crescimento econômico mais forte do que o esperado na China, na Índia e em outros países emergentes permitiu um otimismo maior pela IEA (International Energy Agency), que elevou suas projeções para a demanda global neste ano em 1,3 milhões de barris diários, passando para 86,2 milhões de tonéis por dia.

Na junção entre oferta e demanda, a equipe de research projeta que o barril de petróleo WTI (West Texas Intermediate) deverá permear a casa de US$ 78,00 no final de 2010. No caso de queda, os analistas revelam possíveis excessos por membros da Opep. Já no cenário mais otimista, uma recuperação econômica mais rápida do que a esperada no Ocidente deverá animar os prospectos para a demanda.