BM&FBovespa acelera preparação para concorrência

Presidente-executivo da companhia, Edemir Pinto, disse que a empresa terá a partir de 5 de março uma nova política de tarifas para o mercado à vista de ações

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SÃO PAULO – A BM&FBovespa adiantou nesta quarta-feira que em breve reduzirá custos de negociação para clientes e reafirmou que não está disposta a abrir seus serviços de clearing para potenciais concorrentes, à medida que se prepara para perder a condição de única operadora de bolsas no Brasil.

O presidente-executivo da companhia, Edemir Pinto, disse que a empresa terá a partir de 5 de março uma nova política de tarifas para o mercado à vista de ações, que envolverá todas as classes de investidores.

“Vamos dividir com o mercado os ganhos de escala obtidos nos últimos anos”, disse Edemir, a jornalistas.

A medida complementa uma iniciativa tomada há cerca de dois anos, quando a BM&FBovespa ajustou a cobrança de tarifas de pré e pós negociação, para alinhar os preços com os de bolsas globais, em meio a persistentes críticas de investidores de que os custos na bolsa paulista eram muito maiores que no exterior.

Em outra frente, o executivo reafirmou que a bolsa não pretende disponibilizar a concorrentes serviços de clearing — que faz a liquidação dos negócios– antes de 2015.

O modelo de negócios da BM&FBovespa é uma forte barreira à entrada de concorrentes. Isso porque ela concentra atividades de negociação e de clearing. Uma empresa que queira entrar nesse mercado teria que investir pesado para montar um modelo semelhante ou comprar os serviços de clearing da bolsa paulista.

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A empresa deve concluir até o fim de 2014 um cronograma de investimentos de 1,1 bilhão de reais, que incorre na unificação de suas quatro clearings (ativos, câmbio, derivativos e ações).

“Quando a clearing integrada estiver operacional, vamos estar em condições de prestar serviços”, disse o executivo.

A companhia se esforça para ganhar eficiência, de forma a se preparar para enfrentar um cenário diferente do atual, em que reina sozinha, e que tem refletido o baixo desempenho da economia brasileira.

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Na terça-feira à noite, a companhia mostrou que teve lucro abaixo das expectativas do mercado para o quarto trimestre , em meio a menores volumes de negócios e quedas nas margens devido a mais descontos nas transações para investidores institucionais.

A ação da companhia tinha queda de 3,47 por cento, cotada a 13,07 reais, às 15h29. No mesmo instante, o Ibovespa cedia 1 por cento.

De todo modo, o Credit Suisse afirmou em relatório que vê potencial de reaquecimento do mercado de ofertas de ações no Brasil, o que pode ajudar no volume médio de negócios na Bovespa. Em 2012, apenas 3 novas empresas se listaram na bolsa paulista.

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Neste ano, só para o segmento Bovespa Mais, que lista empresas de pequeno e médio portes, Edemir prevê 10 estreias.

No balanço do quarto trimestre, a BM&FBovespa também omitiu a divulgação de seu resultado operacional medido pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

Segundo Edemir, a empresa aguarda instruções da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre padronização na divulgação desse indicador. Segundo ele, as bolsas internacionais não costumam divulgar esse dado. Ele negou que a decisão tenha algo a ver com a provável chegada de concorrentes ao mercado de bolsas.