Blue chips em queda e referências dos EUA levam o Ibovespa a baixa de 1%

Enquanto aguarda a decisão do Copom sobre a Selic, mercado repercute números de China e EUA e carregado noticiário corporativo

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SÃO PAULO – O Ibovespa até chegou a ensaiar um movimento de leve alta pela manhã, mas não demorou muito para a expectativa pela decisão do Copom, o peso das referências negativas vindas dos EUA e uma pressão por realização determinarem o rumo negativo da bolsa brasileira nesta quarta-feira (19). A queda acentuada de importantes blue chips como Petrobras (PETR3, PETR4), Gerdau (GGBR4) e BM&F Bovespa (BVMF3) também contribui para intensificar as vendas na Bovespa.

O mercado externo por sua vez permanece instável, a medida que vai recebendo dados do setor imobiliário e resultados corporativos de peso. Nos Estados Unidos o destaque da sessão fica com o número decepcionante de casas no início de construção. O indicador do setor, conhecido como Housing Starts, registrou 529 mil casas no resultado anualizado de dezembro, inferior aos 550 mil imóveis esperados. Apesar disso, o número de autorizações para construção de novas casas no país ficou acima das expectativas do mercado.

O cenário corporativo também chama a atenção neste pregão, uma vez que o Goldman Sachs divulgou que tanto seus lucros quanto suas receitas mostraram quedas no quarto trimestre de 2010. Com isso, as ações do banco mostram baixa de cerca de 3%. O Wells Fargo também reportou seus dados, mostrando queda nas receitas. A eBay também divulgará seus números após o término do pregão.

Brasil: Copom e inflação
No plano interno, a grande expectativa para o dia é o resultado da reunião do Copom, a primeira com Alexandre Tombini na presidência do Banco Central. É consenso no mercado a projeção de que a Seic deve ser elevada em 0,5 ponto percentual, para 11,25% ao ano. Sobre isto, o chefe de análise da corretora Ágora, Marco Melo, afirmou que  “a provável decisão do Copom em aumentar a taxa nominal de juros em 0,5 p.p. já se encontra precificada na bolsa brasileira”.

Nesta sessão também foi divulgado o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), indicando que na segunda prévia de janeiro a inflação ficou em 0,63%, taxa 0,12 ponto percentual menor do que a apurada no mesmo período do mês anterior

Ibovespa em baixa
O Ibovespa apresenta baixa de 1,03% nesta tarde e atinge 70.190 pontos. O volume financeiro é de R$ 2,644 bilhões.

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O principal destaque negativo fica com as ações SANTANDER BR UNT N2 (SANB11), que registram desvalorização de 3,20% e são cotadas a R$ 21,48. Com essa variação, a baixa acumulada desde o início do ano chega a -4,75%. As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Entre as poucas altas desta sessão, é possível citar os papéis da TAM (TAMM4), que avançam 1,03%. Mais cedo a empresa deu mais um passo em sua integração com a chilena LAN. Segundo comunicado enviado ao mercado, foi assinado junto às partes dois contratos – denominados Implementation Agreement e Exchange Offer Agreement – regulando os termos e condições definitivas para a associação das companhias aéreas anunciada no ano passado.

Os Conselhos de Administração de ambas as empresas aprovaram os contratos, e concordaram em recomendar a aprovação da transação aos seus respectivos acionistas. A expectativa é de que a operação leve entre seis e nove meses para ser finalizada.
As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

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* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SANB11 SANTANDER BR UNT N2 21,48 -3,20 -4,75 22,75M
 LAME4 LOJAS AMERIC PN INT 14,91 -2,61 -2,55 7,19M
 MMXM3 MMX MINER ON 11,21 -2,61 -0,18 16,94M
 TCSL3 TIM PART S/A ON 7,30 -2,54 +7,20 418,82K
 GGBR4 GERDAU PN 23,37 -2,38 +3,09 51,34M
Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 PRTX3 PORTX ON 3,72 +2,48 +0,27 4,14M
 BRKM5 BRASKEM PNA 20,50 +1,08 +0,64 20,20M
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 20,08 +1,06 +0,40 109,83M
 TAMM4 TAM S/A PN N2 41,14 +1,03 +5,60 12,64M
 CCRO3 CCR RODOVIAS ON 46,35 +0,83 -1,17 4,02M

Fora do índice, destaque para a alta dos papéis da Minerva (BEEF3), que há pouco avançavam 2,03% cotados a R$ 7,03. Nesta sessão, a companhia anunciou a compra de um frigorífico no Uruguai, junto à Pulsa. A operação foi bem avaliada pela Ativa, “em virtude do valor atrativo pago pelo frigorífico, tanto em comparação a um investimento em projeto greenfield, cujo capex se situa entre R$ 80-100 mil por cabeça de gado o que equivaleria a um investimento de US$ 67-84 milhões pela mesma capacidade adquirida, quanto pela avaliação por múltiplos”

China
Passando para a Ásia, destaque para noticiário proveniente da China, sendo que jornais do país apontaram a possibilidade de uma desaceleração da inflação ao consumidor no mês de dezembro, informação ainda não confirmada.

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“As informações ajudaram a reduzir a expectativa dos mercados de que as autoridades chinesas terão de adotar mais medidas agressivas para desacelerar o crescimento”, afirmou Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora. “A notícia deve ter impacto positivo sobre os ativos com desempenho mais relacionado à economia da potência asiática, como os do Brasil”, completou.

Câmbio e renda fixa
O dólar comercial segue operando no campo negativo, cotado a R$ 1,6720 na venda, baixa de 0,36%, com o mercado aguardando o término da reunião do Copom, além de analisar os dados do fluxo cambial.

Há pouco, o BC divulgou dados referentes ao fluxo cambial nas primeiras duas semanas do ano, período no qual foi registrado superávit de US$ 5,185 bilhões, com saldo comercial de US$ 1,217 bilhões e saldo financeiro de US$ 3,698 bilhões.

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Já as taxas dos principais contratos de juros futuros operam nesta quarta-feira com tendência de alta.