Barato pra caramba?

Black Friday na Bovespa: 8 ações que estão com “desconto” de até 58%

Mercado de ações também guarda oportunidades vantajosas para os apreciadores da Black Friday; InfoMoney conversou com três especialistas para montar essa lista

SÃO PAULO – O que já foi um hábito exclusivo dos norte-americanos, o Black Friday está ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Entrando no clima dos super descontos, o InfoMoney preparou junto a analistas e gestores de mercado uma lista com as ações em liquidação. São 8 papéis, com “descontos” que vão até 58%. 

 E como na Black Friday “de verdade”, a Bovespa também possui algumas ações que merecem o selo “Black Fraude” – o famoso “pela a metade do dobro”.

A lista foi montada com base nas principais métricas fundamentalistas utilizadas para saber se uma empresa está “cara” ou “barata” na Bolsa. Os analistas usaram desde os múltiplos tradicionais, como o “EV/Ebitda”* e o “P/VPA”**, até indicadores pouco conhecidos pelos investidores brasileiros, como é o caso do Shareholder Yield, que indica a geração de caixa sobre o preço pago por uma ação (na prática, esse múltiplo tem no numerador a soma da variação na dívida líquida com o volume de recompra de ações, dividendos distribuídos e descontadas as emissões de ações, todos referentes aos últimos 12 meses; o valor disso é divididos pelo valor de mercado da companhia). Segundo Tiago Reis, fundador da Suno Research e adepto deste múltiplo, o índice mostrará quanto o investidor está pagando por cada unidade de caixa gerado pela empresa – ou seja, quanto maior, melhor. Valores acima da taxa básica de juros já podem ser considerados atrativos, explica Reis.

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Braskem (BRKM5)
A petroquímica Braskem pode ser considerada uma das unanimidades de barganha da Bolsa, sendo citada por dois dos analistas ouvidos pelo InfoMoney. Reis, da Suno, ressalta que, com um valor de mercado de cerca de R$ 20 bilhões, a empresa reduziu seu endividamento em R$ 7 bilhões e distribuiu R$ 2 bilhões em dividendos nos últimos doze meses. “Assim, seu Shareholder Yield é de 45%. A empresa está inaugurando uma planta no México que deve ampliar ainda mais os resultados e o fato de seus principais acionistas (Petrobras e Odebrecht) passarem por desafios financeiros pode trazer novos sócios de maior transparência para a empresa”, afirma Reis.

Outro analista de uma asset ponderou que o múltiplo EV/Ebitda da Braskem é um dos mais baixos da Bovespa e que o momento atual da companhia é extremamente favorável. O especialista destaca que a empresa tem hoje a menor relação endividamento líquido/Ebitda dos últimos 12 anos, além de entregar uma das maiores conversões de resultado operacional em caixa livre da sua história. “Olhando o múltiplo EV dividido pelo Ebitda dos últimos 12 meses, hoje o valor está 40% mais baixo”, afirma.

Este gráfico mostra o tamanho do desconto da BRKM5.

 

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Lojas Renner (LREN3)
Entre as varejistas, a Lojas Renner teve resultados não tão animadores no terceiro trimestre de 2016, que penalizaram exageradamente as ações, na avaliação do analista Marco Saravalle, da XP Investimentos. Ele aponta um cenário melhor à frente, já que que os indicadores de confiança do consumidor sinalizam uma possível reversão, o que pode aumentar as receitas e as margens de lucro.

Saravalle alerta que as ações não estão uma “pechincha”, mas garante que “certamente estão descontadas”. O múltiplo EV/Ebtida da empresa está em 10,1, acima da média de 8,55 do setor, mas o potencial de valorização dos papéis LREN3 justificam o investimento. “A Lojas Renner tem como um de seus diferenciais a sólida execução, sabendo navegar tanto em momentos mais fortes da economia como o atual,” avalia Saravalle.

Magazine Luiza (MGLU3)
Ainda no setor do varejo, a Magazine Luiza é disparada uma das açôes “mais baratas”, mesmo após subir 1.100% nos últimos 12 meses. A relação entre o seu “enterprise value” (valor de mercado + dívida líquida) e o resultado operacional que ela entrega, medido pelo Ebitda (lucro antes de juros impostos depreciação e amortização), está em 4,30 vezes, enquanto o múltiplo médio de 20 empresas do setor é de 8,55 vezes, conforme aponta um especialista ouvido pelo InfoMoney. Isso representa um “desconto” de 49,7%. Veja a comparação dos múltiplos das varejistas esperados para 2017 na tabela abaixo:

VarejoEV/Ebitda 2017
RADL3               17,97
HYPE3               13,16
MDIA3               12,00
ARZZ3               11,78
ABEV3               11,32
LREN3               10,07
UGPA3                 9,80
LAME4                 9,61
HGTX3                 9,53
NATU3                 8,79
BTOW3                 7,35
MPLU3                 7,02
PCAR4                 6,72
LLIS3                 6,66
MEAL3                 6,22
AMAR3                 5,95
CVCB3                 5,92
VVAR11                 5,66
GUAR3                 5,39
MGLU3                   4,30
TECN3                 4,27
média                8,55


Unipar (
UNIP6)

Reis, da Suno Research, considera que a Unipar Carbocloro é uma empresa do setor químico bastante rentável. Nos últimos 12 meses, conseguiu reduzir o seu endividamento em cerca de R$ 180 milhões e pagou mais de R$ 20 milhões em dividendos, com um valor de mercado de R$550 milhões. “Portanto apresenta um Shareholder’s Yield de 36%. Além disso, nesse patamar de preço da ação, um membro do conselho está ativamente adquirindo ações da empresa, o que é outro forte indicador de bom negócio”, detalha o especialista.

Metisa (MTSA4)
Outra indicação de Reis, da Suno Research, é a Metisa, empresa líder na fabricação de equipamentos para o setor agrícola, acessórios ferroviários e implementos rodoviários. Nos últimos doze meses a empresa aumentou o seu caixa em R$21 milhões e pagou R$5 milhões em dividendos. Seu valor de mercado é de R$ 95 milhões. “O Shareholder Yield da Metisa é de cerca de 28%. A empresa atualmente tem caixa líquido de R$38 milhões e vale em bolsa menos do que o caixa somado ao seus estoques e contas a receber de clientes”, detalhou. Por isso, ele considera que este é um papel “extremamente desvalorizado” na Bovespa, podendo ser considerado uma boa oportunidade nesta Black Friday.

Sabesp (SBSP3)
Para Saravalle, da XP Investimentos, o mercado tem penalizado excessivamente os papéis da Sabesp devido ao seu endividamento em dólar, que disparou ante o real após a eleição de Donald Trump. O analista garante que esta é uma das ações com “desconto excessivo” na Bovespa. “Os papéis estão sendo negociados com múltiplos baixos sem haver uma justificativa nos fundamentos”, avalia. Para ele, além dos fundamentos de curto prazo, outros fatores podem funcionar como importantes catalisadores para dar novo fôlego para as ações em 2017. Quem encarteirar SBSP3 agora, estará comprando na baixa, afirma.

Sonae Sierra (SSBR3)
Uma empresa que também pode se beneficiar do reaquecimento do mercado interno é a administradora de shopping centers Sonae Sierra. Ela tem a menor relação P/VPA do setor, pois, segundo um gestor que pediu para não ser identificado na matéria, ela recebe menos atenção de analistas e fica “esquecida” na bolsa. Na comparação com a média do segmento, o “desconto” do preço da ação chega a 57,9%. 

Além disso, seus shoppings são os mais novos do mercado, tendo ainda grande espaço para crescimento com baixa necessidade de novos investimentos (Capex), disse esse gestor. “Já está tudo pago, basta ir ocupando, maturando seus shoppings”, afirmou.

ShoppingP/B
MULT32,47
IGTA31,74
ALSC31,26
BRML30,68
SSBR30,56
média1,34


Schulz (SHUL4)
 
O fundador da Suno Research acrescenta a Schulz à lista de oportunidades nesta Black Friday. Trata-se de uma das líderes nacionais na produção de compressores e uma importante fabricante de autopeças para o segmento automotivo. Segundo Reis, a empresa reduziu seu endividamento em R$ 88 milhões, pagou dividendos de R$ 8 milhões nos últimos 12 meses e tem valor de mercado de R$ 273 milhões. “Apesar de parte dessa forte geração de caixa ser decorrente da redução do capital de giro e não recorrente, a maior parte da geração de caixa é decorrente dos resultados operacionais. Assim, seu Shareholder Yield é de 35%”, detalha o especialista.

E as ações em “Black Fraude”?
Marco Saravalle, da XP Investimentos, alerta, porém, para duas ações que estão sendo negociadas a valores acima do que realmente valem. “Tanto os papéis da Randon (RAPT4) como os da Marcopolo (POMO4) estavam precificando uma recuperação mais forte e mais rápida da atividade econômica industrial, sobretudo no segmento de veículos do que estamos vendo e projetando”, avalia. Por isso, na avaliação do analista, os fundamentos de curto prazo mostram que os papéis estão caros, uma vez que os próximos resultados ainda podem decepcionar. 

Definições:
*EV/Ebitda: EV = Enterprise Value, que é o valor de mercado + dívida líquida; Ebitda = sigla em inglês para Lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, e que é usado para saber qual a geração operacional de caixa esperada de uma empresa; a divisão do EV pelo Ebitda mostra quantas vezes a mais que a geração de caixa da empresa o mercado está pagando pela ação acrescida da dívida líquida. Quanto menor em relação à média do setor ou ao histórico da companhia, mais barata está a ação, e vice-versa.

**P/VPA: preço da ação dividido pelo valor patrimonial por ação. Indica se os papéis estão sendo negociados acima ou abaixo do valor que a empresa tem de patrimônio líquido.