Polêmica

BitPreço e Ripio deixam associação de corretoras de criptomoedas após denúncia contra a Binance

Corretoras se dividem sobre denúncias da ABCripto contra atuação no Brasil da maior exchange do mundo

criptomoedas Ethereum Biticoin.

SÃO PAULO – Em meio às denúncias feitas pela Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) contra a atuação da Binance no Brasil, algumas empresas anunciaram a saída do grupo que representa diversas corretoras no País.

Nesta quarta-feira (10), a BitPreço, marketplace que conecta corretoras de criptomoedas, e a Ripio, empresa argentina que atua como corretora e carteira para custódia de criptoativos, anunciaram que estão deixando a ABCripto por conta dessa recente polêmica.

Em nota, a BitPreço, que está entre as três corretoras que mais negociam criptomoedas no Brasil em volume, ressaltou que, por ser um marketplace, tem “excelentes parcerias comerciais com exchanges”, incluindo a própria Binance e também Mercado Bitcoin e Foxbit, que fazem parte da ABCripto.

“Nosso modelo de negócios nos demanda neutralidade, sem a qual não poderíamos bem atender nossos parceiros e clientes. Portanto, para evitar parcialidades, a BitPreço desfiliou-se da ABCripto”, disse Ney Pimenta, CEO da BitPreço.

“Esperamos, no entanto, que o mercado encontre um denominador comum para ambos os lados, de forma que possam competir e evoluir saudavelmente”, completa a nota da empresa.

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Já a Ripio informou que a decisão de sair da associação foi tomada pela matriz argentina após “avaliar que a postura da associação, neste caso, é diferente da visão mais inclusiva da Ripio, que deveria buscar um framework que fosse inclusivo para diferentes frentes de atuação no setor e permitisse a atuação de empresas globais que trabalham sério e olham para o Brasil com visão de longo prazo”.

A empresa também se mostrou disposta a colaborar para que o mercado nacional consiga encontrar uma unidade de trabalho conjunto que possa favorecer o mercado cripto no País.

“A companhia se orgulha de, como mantenedora da ABCripto, ter contribuído com o código de autorregulação do setor, sem dúvida um marco para o mercado brasileiro. Permanecemos à disposição para colaborar com todas as discussões em prol da construção de um mercado brasileiro robusto e justo para empresas e usuários”, completa a Ripio.

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A ABCripto acusa a Binance de não ter autorização para atuar como intermediadora de valores mobiliários, e por isso não poderia captar clientes no Brasil.

“O que se nota é que há um preocupante desprezo pelo cumprimento das normas brasileiras que regem o bom funcionamento do mercado financeiro e de capitais. Isso coloca em risco investidores e a credibilidade de órgãos reguladores e autorreguladores”, disse a associação em sua denúncia.

Apesar da saída de algumas empresas do grupo, outras já confirmaram que vão permanecer, caso da NovaDAX e da Foxbit. No caso desta segunda, seu CEO, João Canhada, falou sobre o assunto publicamente, destacando que a Binance faz no Brasil “tudo que me disseram que seria preso caso fizesse no País”.

Segundo ele, a Binance precisa parar de usar “par com o real com contas bancarias brasileiras e se tornar uma exchange estrangeira cripto-cripto, ou abraçar a legislação brasileira”.

O estrangeiro ter o melhor dos dois mundos enquanto o brasileiro fica limitado sob risco de sanções do governo (multa, prisões) não está nem de longe sendo uma concorrência justa”, disse ele.

Na última terça-feira (9), após o caso explodir no fim da semana passada, a ABCripto divulgou uma segunda nota, destacando os pontos que a levaram a realizar a denúncia, confira:

“Não é razoável que empresas aceitem Reais em território nacional, optando por fazer o que for mais conveniente aos seus olhos, enquanto o restante do mercado precisa seguir um conjunto de regras, sob risco de sanções governamentais e multas caso não esteja em absoluta observância das leis locais. Não há nenhum desejo na ABCripto de encerramento de atividades de quaisquer empresas, especialmente aquelas que agreguem ao setor, trazendo inovação e qualidade em serviços ao cliente. No entanto, é nosso papel questionar empresas de qualquer natureza que ofereçam produtos e serviços que as nacionais estão impedidas por força de lei.”

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