Bitcoin sobe ao maior nível em um mês com perspectiva de acordo entre EUA e Irã

Criptomoeda encostou nos US$ 75 mil e já ameaça US$ 200 milhões em posições vendidas que podem ser liquidadas se barreira for rompida

Paulo Barros

Representações da criptomoeda bitcoin são vistas nesta ilustração feita em 25 de novembro de 2024. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/FOTO DE ARQUIVO
Representações da criptomoeda bitcoin são vistas nesta ilustração feita em 25 de novembro de 2024. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/FOTO DE ARQUIVO

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O Bitcoin (BTC) subiu até US$ 74.945 na noite de segunda-feira, o maior patamar desde 17 de março, impulsionado pelo otimismo em torno de uma possível negociação de paz entre Estados Unidos e Irã. A criptomoeda avançou antes de recuar levemente para cerca de US$ 74.400 na manhã desta terça, e acumula alta de 4,8% nas últimas 24 horas. O Ethereum (ETH) acompanhou o movimento e subiu 8,6%, para mais de US$ 2.370.

O movimento ocorreu após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o Irã teria buscado contato com seu governo para discutir um possível acordo de paz, mesmo com os EUA mantendo um bloqueio naval no Estreito de Ormuz. O movimento acompanhou o otimismo por ativos de risco, com os futuros e Nova York e as bolsas asiáticas também subindo com a perspectiva de que um acordo poderia aliviar os preços do petróleo.

O nível de US$ 75.000 concentra atenção dos operadores. Dados da CoinGlass mostram que cerca de US$ 200 milhões em posições vendidas seriam liquidadas caso o Bitcoin supere US$ 75.500, dinâmica que poderia amplificar qualquer alta adicional. Segundo a analista técnica Ana de Mattos, a criptomoeda enfrenta sua maior resistência (zona com maior interesse de vendas) na região dos US$ 85.500.

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Desde a máxima histórica de US$ 126.000, em outubro, o Bitcoin vinha oscilando em um curto intervalo por dois meses. Ainda assim, a criptomoeda se saiu melhor do que vários ativos tradicionais desde o início do conflito EUA-Irã, em fevereiro: acumula alta de mais de 10% desde 27 de fevereiro, enquanto o ouro caiu quase 10% e o S&P 500 ficou praticamente estável no período.

“O Bitcoin tem se comportado mais como um ativo de risco clássico do que como um porto seguro tradicional, e a melhora no sentimento geral de risco este mês deu suporte aos seus ganhos recentes”, escreveu Tony Sycamore, analista da IG Markets, em nota. Para ele, um cenário mais otimista de médio prazo dependeria de o Bitcoin sustentar fechamentos acima de US$ 79.000, nível de resistência do canal de tendência.

Os ETFs de Bitcoin à vista listados nos EUA registraram saídas líquidas de US$ 194,5 milhões na segunda-feira, segundo dados compilados pela Bloomberg, o maior volume de resgates em mais de duas semanas, após entradas líquidas de US$ 771,4 milhões na semana anterior.

No campo corporativo, a Strategy (MSTR) teria adicionado cerca de 7.800 BTC por meio do seu programa de mercado contínuo financiado pelo título perpétuo preferencial STRC. O volume negociado do papel chegou a US$ 1,16 bilhão na segunda, mais de quatro vezes a média dos últimos 30 dias.

Já a Deutsche Börse, controladora da Bolsa de Frankfur e da Xetra, anunciou a compra de uma participação de 1,5% na Payward, empresa-mãe da exchange de criptomoedas Kraken, por US$ 200 milhões. A transação avalia a Kraken em US$ 13,3 bilhões e deve ser concluída no segundo trimestre, sujeita a aprovações regulatórias.

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Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)