BitCoin: oportunidade de criar dinheiro virtual pode estar gerando nova bolha

A cada 10 minutos, 25 novas BitCoins, abreviadas para BTC, são criadas e distribuídas entre os "mineradores" - pessoas que usam o software para adquirir esse dinheiro gratuitamente
(Shutterstock)
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SÃO PAULO – Imagine ligar o seu computador e ele começar a gerar dinheiro para você automaticamente, sem que você precise trabalhar para isso. Essa é a BitCoin, moeda virtual descentralizada da internet, que tem chamado atenção do mercado nesta semana: o valor desse dinheiro virtual ultrapassou US$ 1 bilhão pela 1ª vez na história.

A cada 10 minutos, 25 novas BitCoins, abreviadas para BTC, são criadas e distribuídas entre os “mineradores” – pessoas que usam o software para adquirir esse dinheiro gratuitamente. Com o ganho de popularidade nas últimas semanas, o preço de cada moeda virtual, conversível em divisas reais, disparou: pulou de US$ 43 seis semanas atrás para US$ 141 nesta quarta-feira (3), alta de 227%, de acordo com a Mt.Gox, principal “casa de câmbio” que opera a moeda. 

Com isso, surgem especulações de que a moeda virtual seria uma bolha. “Eu não estou feliz com as altas na velocidade que estão. Qualquer commodity é normal de ter ajustes nos preços, testar mínimas e máximas, não é bom sempre ir para cima”, diz Alan Safahi, CEO (Chief Executive Officer) da Zip Zap, a maior processadora de pagamentos da moeda virtual, em entrevista ao portal CNBC. 

Para Art Cashin, diretor de serviços no UBS, é raro ver esses fenômenos surgirem em tempo-real, já que geralmente bolhas não atingem ativos tão liquidos, como divisas – que, mesmo o BitCoin, contam com diversos negócios. “Mas talvez isso esteja mudando. A bolha em tempo real pode ser o próprio BitCoin”, avisa, à CNBC.

Dinheiro “gratuíto” é cada vez mais aceito
O BitCoin vai ganhando força conforme a mídia começa a lhe dar mais espaço, mais lojas aceitem a moeda virtual, as autoridades destaquem que não vão processar ninguém e casas de câmbio tradicionais, como a Western Union, comecem a planejar formas de aceitar a moeda. Soma-se a isso a desconfiança lançada sob o sistema monetário tradicional, por conta da crise na Europa. 

“O BitCoin ganhou força pois é descentralizado, não é sujeito a intervenções governamentais, é considerado seguro e tem uma oferta limitada, então isso aumenta o valor da moeda, claro”, destaca Safahi. Mesmo completamente encriptada, a segurança ainda incomoda, já que é tecnicamente possível um hacker entrar nas contas e roubar dinheiro virtualmente.

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Para Boris Schlossberg, diretor da BK Asset, é impossível ignorar esse assunto – está no radar de todo mundo. “É uma fantasia para a maioria das pessoas, mas é bastante emblemático. Só vai acabar quando o governo resolver regular isso, já que não tem valor nenhum a não ser pelo fato de que é socialmente aceito”, termina o diretor, em entrevista ao site norte-americano.