Estudo

Bitcoin e stablecoins são as piores opções para pagamentos internacionais, diz BCE

As moedas digitais de banco central seriam mais rápidas e baratas, segundo um dos diretores da instituição

Por  CoinDesk -

Transferências internacionais geralmente são demoradas e caras e precisam ser melhoradas – mas Bitcoin (BTC) e as stablecoins são as piores opções para solucionar esse problema. É isso que diz um estudo do Banco Central Europeu (BCE) divulgado na segunda-feira (1º).

Estimulados por iniciativas do setor privado, como a agora extinta Libra, apoiada pelo Facebook, os reguladores estão procurando maneiras de fortalecer as redes de pagamentos consideradas lentas demais para remessas internacionais. O BCE, no entanto, deseja estar no comando dessa mudança – o que acaba excluindo criptos descentralizadas.

“O Santo Graal dos pagamentos transfronteiriços é uma solução que permite que eles sejam imediatos, baratos, universais e liquidados em um meio seguro”, disse o estudo, que foi assinado também por Ulrich Bindseil, diretor-geral do BCE para infraestrutura de mercado e pagamentos.

“O Bitcoin é o menos confiável” para alcançar isso, continuou o relatório. O documento também apontou que as stablecoins – criptos que buscam vincular seu valor a outros ativos, como moedas fiduciárias – vêm em segundo lugar devido às preocupações com seu poder de mercado.

O relatório diz que um sistema baseado em BTC não funcionaria pelos seguintes motivos: seu mecanismo de consenso de prova de trabalho (proof-of-work, ou PoW) é “inerentemente ineficiente” , há uso “generalizado” do criptoativo para fins criminais e ele é muito volátil. O documento também descreveu o fervor dos apoiadores das criptomoedas como “quase religioso”.

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Há mais benefícios nas moedas digitais emitidas pelo banco central (CBDCs) de jurisdições individuais, escreveu Bindseil, embora ainda existam poucas opções.

Aqueles que estão desenvolvendo CBDCs – incluindo o BCE, que está considerando um euro digital – devem “discutir em um estágio relativamente inicial os problemas de interoperabilidade relacionados” para garantir que possam trabalhar em conjunto com outras zonas monetárias, disse o estudo.

Eles também devem tentar fazer com que os sistemas domésticos de pagamento instantâneo existentes funcionem uns com os outros, apesar das questões sobre como vetar dinheiro sujo e lidar com contrapartes que possam entrar em default, acrescentou.

Fabio Panetta, membro do conselho executivo do BCE, já havia chamado as criptomoedas de “esquema Ponzi”, e dito que os reguladores deveriam ser “menos tolerantes” com elas. O Banco de Compensações Internacionais (BIS, em inglês), que revelou em maio que nove em cada 10 bancos centrais estão trabalhando em uma CBDC, pediu em julho uma maior cooperação entre as instituições bancárias dos países.

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