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SÃO PAULO – Mais um capítulo para a inusitada história da Bitcoin – polêmica moeda virtual, alvo de inúmeras discussões sobre sua validade como divisa ou elemento de bolha do mercado – foi escrito na Finlândia, país onde foi feita a mais recente tentativa de aplicação efetiva das divisas virtuais que não sofrem controle algum de Bancos Centrais como órgãos reguladores. Conforme noticiou a imprensa internacional nesta segunda-feira (20), a Bitcoin não foi reconhecida como moeda, tampouco forma de pagamento eletrônico no país nórdico, mas como uma commodity.
“Considerando a definição de uma moeda oficial como está previsto na lei, ela não o é. Ela também não é um instrumento de pagamento, porque a lei determina que uma ferramenta como essa precisa ter um responsável por sua operação”, disse à Bloomberg Paeivi Heikkinen, do Bank of Finland em Helsinki.
A luta dos envolvidos com as Bitcoins pelo reconhecimento do dinheiro virtual como uma moeda real tem gerado muita especulação no mercado. Nos últimos meses do ano passado, a moeda ficou cotada acima de US$ 1.000,00 pela primeira vez na história. Nos Estados Unidos, as autoridades ainda não mostram um comportamento muito claro de como devem encarar esse novo fenômeno do mercado que começa a ganhar força.
Em um de seus comunicados, o chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, escreveu que, apesar da autoridade monetária americana manter sua visão de que as moedas virtuais são mais vulneráveis a crimes como lavagem de dinheiro, “há outras áreas em que as moedas podem conter potencialidades para o longo prazo”.
Na Europa, os riscos associados ao uso da Bitcoin como substituta do dinheiro real, com as autoridades locais se esforçando para formar uma estrutura legal que proteja o mercado das perdas que possam ocorrer – irrecuperáveis até o momento, uma vez que não se trata de um modelo de negócio regulamentado. Nos demais países nórdicos, a tentativa de reconhecimento da moeda virtual como divisa legítima também não obteve sucesso, enquanto na Alemanha, a Bitcoin foi reconhecida como “dinheiro privado”.
Como funciona?
A moeda virtual é trocada diretamente entre internautas e funciona sem o controle de um banco central desde 2008, quando foi criada por um grupo de programadores que usaram o nome de Satoshi Nakamoto. Cada Bitcoin é criada a partir de algoritmos matemáticos que geram sequências numéricas únicas. A forma mais direta de obter essas moedas é utilizar um computador para “minar” novas Bitcoins, o que significa utilizar a capacidade de processamento de um computador para lentamente desvendar um código matemático complexo que é único e comum a todos os “mineradores”. Mas é, também, possível comprar bitcoins a quem esteja disposto a vendê-las em troca de dinheiro comum, como dólares e euros.