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SÃO PAULO – O BIS (Bank for International Settlements), conhecido como banco central dos bancos centrais, afirmou nesta segunda-feira (28) que uma alta da taxa básica de juro pode ser necessária em breve – mesmo em países que não estejam totalmente em recuperação. Segundo o banco, o adiamento da elevação das taxas, entre outros problemas, posterga a reestruturação do setor financeiro e de outras indústrias ineficientes.
Para o banco, o apoio macroeconômico tem limites – limites esses que já foram atingidos em diversos países, a julgar pela reação recente dos mercados financeiros. Segundo o BIS, as medidas extraordinárias foram necessárias para evitar o contágio, mas não podem ser mantidas por muito tempo, sob o risco de “mandar o paciente a uma recaída e ofuscar esforços de reforma”. “Algumas medidas estão adiando os ajustes necessários na economia real e no setor financeiro, onde a redução da alavancagem e balanço está longe de estar completa”.
Consequências inesperadas
De acordo com o relatório anual da entidade, a manutenção de taxas de juro muito baixas por muito tempo pode ter consequências inesperadas, como decisões de investimento distorcidas e participantes de mercado tomando risco demais para obter retornos mais altos. O BIS também aponta a possibilidade da formação de bolhas nos ativos, especialmente no setor imobiliário.
Além disso, o banco afirma que, como as baixas taxas básicas de juro levam a baixas taxas de juro no curto prazo, o que pode levar investidores e bancos a tentar pegar empréstimos com posições vendidas e fazer empréstimos com posições compradas – uma tática que, na visão do BIS, pode desestabilizar o sistema financeiro se não houver liquidez.
Assim, taxas básicas de juro podem contribuir com a instabilidade de instituições financeiras, que seguem frágeis. “O corte das taxas de juro foi necessário para prevenir o colapso completo do sistema financeiro e da economia real, mas mantê-las nesses patamares por muito tempo pode atrasar os ajustes necessários para um modelo financeiro e economico mais sustentável”, explica o BIS.
Por fim, a entidade destaca que o ambiente de juro em baixa pode incentivar a prática de rolamento de dívida para negócios inviáveis, que podem continuar a pagar os juros mas não conseguirão pagar o principal da dívida.
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Déficit fiscal
O relatório do BIS também aborda os déficits fiscais, assunto bastante discutido na reunião do G-20 no final de semana – vale dizer que grande parte do relatório foi elaborada antes dos temores sobre a situação fiscal europeia se acentuarem. De acordo com o banco, em alguns países – que não foram nomeados – medidas para resolver o problema são urgentes.
“Um programa de consolidação fiscal – cortando déficits em muitos pontos percentuais do PIB por um grande número de anos – ofereceria benefícios significativos, como taxas de juro de longo prazo baixas e estáveis, um sistema financeiro menos frágil, além de melhores perspectivas para investimento no longo prazo e crescimento”, afirmou a instituição.
“O crescimento global não pode mais ser sustentado pela expansão fiscal no mundo desenvolvido”, afirmou Jaime Caruana, diretor geral do BIS. Caruana apontou três principais desafios para a economia global – cortar déficits, melhorar os balanços na indústria financeira e finalizar a regulação financeira.