BIS afirma que bancos necessitam de mais capital para resistirem a choques

Para presidente do Banco de Compensações, quantia de ativos líquidos mantida por instituições deve ser maior do que a atual

Publicidade

SÃO PAULO – O presidente do BIS (Banco de Compensações Internacionais), Jaime Caruana, afirmou que a quantia de capital detida nos bancos não é suficiente para assegurar a estabilidade financeira, além de destacar que os credores devem manter uma boa quantia de ativos líquidos para sobreviverem em possíveis períodos no qual ocorra perda de acesso a financiamentos.

Para ele, as instituições financeiras não conseguirão, sem a ajuda de órgãos regulatórios, apontar todos os possíveis riscos no mercado financeiro. Órgãos de todo o mundo vêm discutindo planos para aumentar a supervisão a bancos após o impacto da crise, no qual houve queda no mercado de crédito e injeção de capital de contribuintes para resguardar instituições.

O Comitê de Supervisão Bancária de Basileia, organização que congrega autoridades de supervisão bancária com o objetivo de fortalecer a solidez dos sistemas financeiros, propôs novas mudanças em dezembro último, visando a melhoria quantitativa e qualitativa do capital, bem como impulsionar a quantidade de ativos fáceis de vender que os credores devem deter para assegurar as necessidades de liquidez no curto prazo.

Construção em bons momentos
“Capital e amortecedores de liquidez precisam ser construídos nos bons tempos, para que possamos lançar mão nos maus”, afirmou. “Bancos devem resguardar uma quantia suficiente de ativos de alta liquidez para serem capazes de sobreviverem a períodos de perda ao acesso de financiamentos”.

“A resposta não é para reprimir os mercados financeiros “, disse ele. “É para reconhecer que os mercados precisam de regras, restrições e monitoramento cuidadoso para que as falhas sejam menos frequentes e menos onerosas”.

Regulação sem repressão
No mesmo sentido, o presidente do JPMorgan, Andrew Crockett, afirmou que as reformas regulatórias não devem reprimir as forças do mercado.

Continua depois da publicidade

“O que tem sido demonstrado pelos recentes acontecimentos não é que o mercado deve ser abandonado como princípio organizador das relações econômicas, mas que as possibilidades de falha de mercado são mais amplas do que o anteriormente suposto,” Crockett disse. “As reformas, portanto, necessitam lidar com essas fontes de falha do mercado, mas não como forma de reprimir as forças do mercado”.