Bird: sem mostras concretas de volta do capital privado, é cedo para apostar na China

Para o Banco Mundial, medidas governamentais de estímulo econômico promovem reaquecimento carente de solidez

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SÃO PAULO – Ainda é cedo para apostarmos numa retomada consistente da economia chinesa. A advertência é do Banco Mundial, via palavras de David Dollar, diretor responsável por assuntos chineses na entidade, em fórum realizado em Pequim nesta quarta-feira (20).

Segundo Dollar, o investimento privado sofreu baixa sensível no primeiro trimestre deste ano, quando a economia do país asiático reduziu seu ritmo de crescimento a 6,1%, o mais modesto desde, na melhor das hipóteses, 1999. Ainda assim, a China é a única economia, entre as cinco maiores do mundo, que continua em processo de expansão.

A importância do capital privado é óbvia. Ele é responsável por criar empregos, sendo um dos principais drivers de crescimento econômico, de acordo com o diretor. Seu retorno, portanto, é “muito importante” para que o gigante asiático recobre seu elevado ritmo de avanço a taxas sustentáveis.

Não é o suficiente

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Dollar acrescentou que os gastos de estímulo têm sua parcela de mérito pela estabilização econômica chinesa. Diante do pacote governamental de US$ 586 bilhões, o índice da bolsa de Xangai assistiu a um rali expressivo, avançando 47% neste ano, depois do colapso das exportações do país.

Mas isso não seria o bastante para manter o crescimento no longo prazo. Mark Williams, economista da Capital Economics Ltd., de Londres, declarou dias antes que os dados oficiais de atividade não acompanham a tendência de outros indicadores, como os preços do aço, o que sugeriria a fraqueza que ainda acomete os investimento no país.

Falta solidez

“Os fundamentos da recuperação não são sólidos”, diz Dollar. Conforme relatório de política monetária trimestral das autoridades chinesas, divulgado no dia 6 de maio, a recente intensificação das concessões de crédito veio ao encontro do financiamento de projetos do governo, em detrimento dos pequenos negócios.

Na visão do Banco Mundial, a perspectiva de retomada não se encontra em seu momento mais oportuno.