Biometano esbarra em rede limitada e falta de regulação e financiamento, diz analista

Aprovação do projeto de lei dos “combustíveis do futuro” que tramita no Congresso é peça chave para o desenvolvimento do segmento

Augusto Diniz

Conteúdo XP

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Orizon (ORVR3) e Compass, do grupo Cosan (CSAN3), são algumas das empresas com foco em projetos importantes em biometano, gás natural proveniente da purificação do biogás, que é gerado a partir do lixo. Mas o seu desenvolvimento ainda enfrenta grandes desafios, segundo Luiza Aguiar, analista de ESG do Research da XP, que participou nesta sexta (14) do Morning Call da XP.

Após um encontro que sua equipe teve recentemente com representantes da Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), a especialista apontou no programa algumas questões importantes para a melhoria do segmento.

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Biometano: aumento da oferta

As estimativas da Biogás é que a oferta de produção de biogás e biometano aumente de 1 milhão de metros cúbicos para 7 milhões de metros cúbicos por dia até 2029. Além disso, o número de plantas deve aumentar de 20 para 90 no mesmo período.

Neste contexto, o Paraná tem se destacado como grande polo de produção do combustível renovável, reforça ela.

Segundo Luiza Aguiar, com relação ao aumento de demanda que atenda a expectativa de crescimento de oferta do biometano, o principal contribuidor é a adoção de metas de descarbonização, o que acaba impulsionando o consumo de gases com menor emissão de carbono.

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“Políticas governamentais têm também um grande potencial de impulsionar essa demanda”, afirma. Nesse caso, particularmente, ela menciona a importância da aprovação do projeto de lei dos “combustíveis do futuro” em tramitação no Congresso.

“Ele (o projeto de lei) estabelece mandato progressivo de aumento do uso do biometano no gás natural. Começa em 1% em 2026 e vai crescendo progressivamente até chegar a 10%”, comenta.

Crescimento da demanda

“Isso é importante para o investidor se sentir confortável em fazer grandes investimentos em plantas em biometano. Ele precisa ter certeza que vai ter demanda de longo prazo”, afirma. “Tanto a descarbonização como esses maiores incentivos, eles aumentam a confiança para o investidor”, complementa.

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Em relação aos desafios da expansão do biometano, uma das questões maiores é a infraestrutura. “A rede de gás no Brasil é limitada. Ela foi pensada para o transporte de gás natural não do biometano”, menciona.

Falta regulação

Além disso, a analista cita a importância de uma regulação específica para o combustível. “A regulação é toda pensada para o gás natural”, explica.

E tem ainda o desafio do financiamento. “Grandes empresas talvez não enfrentem problemas desse tipo, mas os pequenos produtores têm sim dificuldades de acessar o financiamento para pôr de pé essas grandes plantas de biogás e, posteriormente, de biometano”, explica.

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A analista da XP coloca o biometano como combustível alternativo para o transporte e este pode ser o seu grande potencial de uso.