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A célula de combustível pode ser a grande esperança para o futuro do setor sucroenergético. A tecnologia apresentada na 16ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, realizada na capital paulista, soluciona o problema de abastecimento dos atuais carros elétricos, usando o etanol para gerar energia elétrica com emissão zero de carbono. O primeiro protótipo do veículo bioelétrico, desenvolvido pela Nissan, deve entrar em escala comercial a partir de 2020.

O novo sistema reacendeu as discussões sobre a predominância dos combustíveis fósseis na matriz energética brasileira. O governador de Goiás, Marconi Perillo, chegou a declarar que pretende taxar a gasolina para deixar o etanol mais competitivo. Já o ministro interino de Minas e Energia, Paulo Pedroso, disse que o atual governo não trabalha com um modelo intervencionista, mas não descartou uma reformulação na Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis.
A Cide também foi defendida pelo presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cibie), Adriano Pires, que chamou o governo de “míope” por não enxergar a importância do imposto para a sobrevivência do etanol, além de ir na contramão do mercado mundial ao incentivar a produção de combustível fóssil. “Não se trata de um imposto comum, a Cide é um imposto ambiental. Sem esse mecanismo vamos provocar a morte do etanol hidratado”, declarou.
Dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Combustível (ANP) mostram que o preço do etanol perde para a gasolina em quase todos estados brasileiros, menos em Mato Grosso do Sul. Ainda segundo a ANP, a participação da gasolina subiu 2% no acumulado do ano de 2016. Mas existe espaço para crescer: em 2030, o Brasil deve chegar a um déficit de demanda por combustível de 410 mil barris.
Hoje, o etanol representa 19% do mercado de combustíveis e, mesmo com a meta do governo subir essa participação para 40%, o ministro interino de Minas e Energia reconheceu que é necessário um novo ciclo de investimentos. Para as lideranças do setor, o segmento precisa aumentar a produtividade, ter uma política pública definida para o etanol, além de melhorar a distribuição e a logística do produto pelo país.