Bill Gross: “títulos de dívida vão para os Bancos Centrais para morrer”

Em resposta ao programa de estímulo norte-americano, megainvestidor corta 21% dos treasuries de fundo da Pimco

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SÃO PAULO – Há mais de um mês o megainvestidor Bill Gross, fundador e co-oficial de gestão da Pimco – a gestora do maior fundo de títulos de dívida do mundo -, vem alertando que pode estar na hora de trocar os tão seguros Treasuries por ações.

A questão tomou proporções maiores com a atuação dos principais Bancos Centrais do mundo na economia, o que fez Gross cortar para 21% os títulos norte-americanos do seu fundo Pimco Total Return no final de agosto. Segundo Gross, “os BCs são os lugares onde os títulos ruins vão para morrer. Vende títulos ruins e compre os bons. Investimentos, as vezes, podem ser muito simples”.

O comentário do megainvestidor veio alguns dias depois do Federal Reserve lançar seu tão controverso terceiro programa de Quantitative Easing. A autoridade monetária dos Estados Unidos vai comprar US$ 40 bilhões de títulos lastreados em hipotecas todos os meses, em uma ação com duração ilimitada. Dias antes, o BCE (Banco Central Europeu) havia anunciado a compra de títulos públicos dos países problemáticos da zona do euro, como forma de recuperar a devastada economia da região.

O maior fundo de títulos do mundo, com US$ 273 bilhões de ativos, vem reduzindo sua exposição aos Treasuries desde julho, movimento que se intesificou no mês passado – o que pode ser observado no gráfico abaixo. Esses investimentos atingiram o pico entre os meses de maio e junho, quando representavam 35% dos ativos.

As precupações de Gross se estendem a inflação do país, que pode pressionar o retorno dos títulos. Nessa segunda-feira, ele escreveu em seu Twitter: “Nós estamos na era da inflação”. 

Embora não tão drástica, a última posição de Gross é uma remanescência do panorama pessimista para os Treasuries no último ano. Em fevereiro de 2011, o megainvestidor cortou sua exposição à dívida dos EUA para zero, apostando que o preço dos títulos poderia cair, contudo, isso não ocorreu. Meses depois, Gross admitiu que tinha sido um “erro”. Seu fundo teve retorno de 4% naquele ano.

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Agora, Gross quer colocar novamente seu fundo nos trilhos ascendente. De fato, o retorno do Pimco Total Return está acima de 8% nesse ano, enquanto um de seus principais rivais, o Barclays Capital Aggregate Bond Index sobe menos do que 4%.

Confira a evolução dos Treasuries no fundo Pimco Total Return:

Fonte: Pimco

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