BHP Billiton e Rio Tinto trocam argumentos acerca de possível aquisição

Rio destaca compra da Alcan, ao passo que BHP ressalta divisão de petróleo; proposta formal deve ser enviada até final do mês

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SÃO PAULO – A novela entre as mineradoras australianas BHP Billiton e Rio Tinto segue apresentando novos episódios, sem, no entanto, dar sinal de um acordo entre as duas companhias.

A Rio Tinto, objeto de interesse de compra da BHP, vem argumentando que os preços do alumínio no mercado internacional já superam suas expectativas elaboradas à época da aquisição da Alcan, concluída em julho do ano passado.

Aliada à maior cotação do alumínio, está a previsão de reajuste de cerca de 65% no preço do minério de ferro neste ano, o que, segundo a Rio Tinto, lhe dá melhores perspectivas de crescimento, devido à sua maior participação em tal segmento em relação à BHP.

BHP contra-argumenta

Em contrapartida, a BHP Billiton argumenta que a aquisição da Alcan pela Rio Tinto foi supervalorizada pela mineradora e que a recente valorização dos papéis da Rio Tinto reflete apenas o interesse da BHP pela companhia, e não sólidos fundamentos da empresa.

Outro fator destacado como positivo pela BHP é a sua divisão de exploração de petróleo, que segundo a companhia lhe propicia maiores margens de lucro comparativamente à Rio Tinto.

Ademais, quanto ao setor de minério de ferro, a BHP acredita que a exploração de coque, tipo de combustível derivado do carvão, e de manganês, também seja beneficiada pela expansão da indústria siderúrgica mundial.

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Proposta formal até final do mês

Por mais que um consenso entre as companhias não pareça se delinear em um horizonte a curto prazo, a BHP Billiton tem até o final deste mês para entregar sua proposta detalhada de aquisição da Rio Tinto à Comissão Européia.

Neste sentido, ainda que as negociações sejam bem sucedidas, analistas acreditam que o processo de investigação dos agentes europeus reguladores de mercado dure aproximadamente seis meses.

A possível aquisição vem se arrastando desde novembro de 2007, quando a Rio Tinto rejeitou a proposta inicial da BHP, estimada em US$ 128 bilhões. Caso seja levada a cabo, essa será uma das maiores aquisições da história e criará uma empresa com valor de mercado de aproximadamente US$ 350 bilhões.