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Na última segunda-feira (17), o grupo Casas Bahia (BHIA3) viu suas ações afundarem 33%, passando a valer apenas R$ 0,44, em meio ao pedido de recuperação judicial da histórica varejista, com uma dívida de R$ 17,3 bilhões.
Esse movimento contrasta totalmente com julho de 2020, quando os papéis operavam acima de R$ 400; na máxima histórica, os papéis chegaram a R$ 489.
Confira abaixo o gráfico que mostra o desempenho das ações nos últimos anos:

Ao pedir recuperação judicial com uma dívida de R$ 17,3 bilhões, a Casas Bahia afirmou enfrentar a “pior crise financeira” desde sua fundação. Ou seja, é o momento mais adverso da companhia em mais de 70 anos, desde as origens do negócio iniciado pelo polonês Samuel Klein, em 1952, ao posto de um dos maiores grupos de varejo do país.
A empresa cresceu puxada principalmente por vendas de móveis — quem nunca ouviu a expressão “armário Casas Bahia”? — e itens da linha branca (fogão, geladeira, lava-roupa), mirando em vendas para as classes C, D e E. Criou slogans-chicletes, como “Dedicação total a você” e “Quer pagar quanto?”, mas perdeu fôlego na corrida digital, tendo passado por reveses como denúncias envolvendo a família Klein, crise financeira e reestruturação.
Segundo a companhia destacou em seu pedido de recuperação judicial, o cenário em que vive ainda é mais complexo que o vivido em 2024, quando a empresa passou por uma recuperação extrajudicial.
O grupo justifica que o aumento da taxa Selic a partir de 2021 produziu “efeitos especialmente severos”, já que sua operação é “estruturalmente dependente” do crediário. Os carnês remontam à criação da empresa, na década de 1950, e hoje respondem por 15,9% das vendas. Entre abril e junho, a carteira de crediário da Casas Bahia fechou em R$ 6,3 bilhões.
Os juros altos também aumentaram o custo da empresa com a manutenção dos estoques e as operações de risco sacado com fornecedores. Nesse modelo, bancos antecipam aos fornecedores o pagamento pelas mercadorias vendidas à varejista, que ganha um prazo maior, com juros, para quitar a dívida com a instituição financeira.
;Além dos juros, a companhia alega que o cenário também foi dificultado pela inflação — que comprimiu a renda e o poder de compra das famílias, especialmente as mais pobres —, e o aumento da concorrência “com plataformas internacionais”, como Amazon e Mercado Livre.
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A crise, portanto, não é recente. Ainda em 2023, a empresa implementou um plano de reestruturação, com o fechamento de 55 lojas, a demissão de 8,6 mil funcionários e a redução de R$ 1 bilhão em estoques.
Ainda assim, as medidas não foram suficientes. No ano seguinte, a Casas Bahia passou por um processo de recuperação extrajudicial, com um passivo de R$ 4,1 bilhões.
Mesmo após o processo, a grupo diz que continuou a enfrentar dificuldades econômico-financeiras que agora culminaram no pedido de reestruturação judicial. Entre as frentes de recuperação, a empresa cita o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários em agosto.
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O pedido de recuperação judicial ocorre após a divulgação do balanço do segundo trimestre, que expôs a deterioração das contas da companhia. A Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, resultado negativo 18 vezes superior aos R$ 555 milhões registrados no mesmo período de 2025.
O balanço divulgado no domingo já citava explicitamente a possibilidade de uma recuperação judicial ou de uma nova recuperação extrajudicial. A administração afirmava que avaliava “alternativas operacionais, financeiras, societárias e estratégicas adicionais” diante da situação de liquidez e das projeções de fluxo de caixa.
A auditoria EY também chamou atenção, no parecer que acompanha as demonstrações financeiras, para uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional” da companhia.
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(com O Globo)

