Bernanke defende programa de estímulo QE3 contra críticas internacionais

Presidente do Fed enfatiza que programa de estímulo econômico dos EUA não é responsável pela elevação artificial das moedas de outros países

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SÃO PAULO – Mais uma vez o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, saiu em defesa da política monetária norte-americana em meio ao descontentamento dos economistas internacionais, dizendo que o Fed não é responsável pela elevação artificial das moedas de outros países.

Antes do encontro do FMI (Fundo Monetário Internacional), realizado em Tóquio, Bernanke reforçou sua defesa contra as críticas de que o terceiro programa de Quantitative Easing norte-americano e a manutenção do juro em patamar baixo, entre 0% e 0,25% ao ano, pode guiar o fluxo de capital para os mercados emergentes. No último mês, o Fed lançou mais estímulos à economia dos Estados Unidos, que consiste na compra de US$ 40 bilhões em títulos atrelados a hipotecas no país por mês. 

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O economista ainda acrescentou mais um posicionamento: os mercados emergentes devem aceitar a apreciação de suas moedas. “Para ser claro, a política acomodativa dos EUA, bem como em outras economias avançadas, vai mudar os diferenciais de taxa de juro em favor dos mercados emergentes e, provavelmente, contribuir para fluxos de capitais privados para esses mercados”, disse Bernanke.

“Eu devo argumentar que não está claro de que a política acomodativa em economias avançadas vai impor custos para as economias dos mercados emergentes”, complementou.

Ele ainda lançou críticas às políticas econômicas dos países emergentes, já que em alguns destes mercados os líderes preferem resistir a apreciação das moedas para promover as exportações. Bernanke reforça que a defesa do câmbio traz inevitavelmente custos, incluindo redução da independência monetária e inflação. Ou seja, “as vantagens da desvalorização e o problema de entrada de capitais indesejáveis devem ser entendidos como um pacote – você não pode ter um sem o outro”.

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A maior crítica ao Fed vem do Brasil, onde o ministro da Fazenda, Guido Mantega, alertou que o novo estímulo anunciado pelos EUA provocará consequências dramáticas ao resto do mundo, já que uma enxurrada de dólares não será direcionada ao setor produtivo do País. Mantega avalia que isso é uma clara evidência do avanço das tensões globais: “é uma guerra de moedas”. 

Diante disso, o ministro da Fazenda ameaça elevar o IOF para conter uma entrada de capital especulativo gerado pela intervenção do Fed. Ele garante que o Brasil irá reagir se for afetado e aponta que são essas medidas, e não as barreiras brasileiras, que deveriam ser consideradas como protecionismo.