Bear Stearns vê Cosan com elevados múltiplos e inserida em setor fragilizado

Banco também não se anima com promessas de consolidação e proposta de reorganização societária do Grupo Cosan

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SÃO PAULO – A dificuldade de muitos investidores em avaliar os prós e contras da proposta de reorganização societária da Cosan é vista pelo Bear Stearns como um claro sinal de que o mercado tem pouco conhecimento sobre o setor. Dessa maneira, o banco de investimentos expôs suas perspectivas para o segmento sucroalcooleiro e seus múltiplos pouco otimistas para a empresa brasileira.

O primeiro ponto levantando pelo Bear Stearns são as fracas projeções de preços no mercado norte-americano de etanol, o que tende a pressionar os preços do produto no Brasil. Além disso, o banco não vê progresso no comércio de etanol entre os dois países. Neste contexto, há expectativa de excesso de oferta no mercado brasileiro, o que também prejudica os preços do açúcar.

A instituição não vê melhora deste cenário no curto prazo, apenas alguma possibilidade de recuperação em 2008 ou 2009. Outro quesito avaliado pelo banco norte-americano é a aceleração nos custos de produção decorrente da recente depreciação do dólar, o que leva muitos produtores a perderem dinheiro.

Sobre a oferta da Cosan Limited

Em meio às promessas de consolidação com a reorganização societária do Grupo Cosan, o Bear Stearns não acredita que a empresa gastará mais de 50% do montante arrecadado com a IPO (Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial) com aquisições num primeiro momento, na tentativa de observar os movimentos do setor enquanto a indústria sucroalcooleira sente os impactos de baixos preços nos mercados externos.

Ainda na avaliação da possibilidade de os atuais acionistas da Cosan migrarem para a Cosan Limited, a única vantagem vislumbrada pelo banco de investimentos seria um possível ganho de liquidez. Para os papéis ordinários da Cosan, a recomendação é peerperform (na média do mercado).

Múltiplos põem Cosan ao lado de empresas de energia alternativa

Para os que apostam no setor sucroalcooleiro, as projeções do banco de investimentos não são das mais favoráveis, com perspectiva de fraco lucro para Cosan e São Martinho no próximo ano.

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O atual valuation dos papéis da Cosan – com base em cotações do início da semana – reflete estimativas de elevadas cotações do açúcar no mercado externo e expectativas, segundo o banco, “irreais” de preços do etanol acima do açúcar.

Confrontando as projeções de Ebitda (medida operacional de geração de caixa) e retorno sobre o capital da Cosan, o Bear Stearns conclui que os papéis da empresa são negociados com múltiplos altamente elevados quando comparados aos números de empresas de demais segmentos, como óleo e gás.

Assim, aparentemente, os números da Cosan estariam mais próximos dos múltiplos médios de companhias de tecnologia de energia alternativa.

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Ainda falando em múltiplos

O banco de investimentos estima lucro por ação de R$ 1,90 em 2007 e R$ 0,66 em 2008, o que leva a um P/L – que relaciona o preço atual das ações e o lucro por ação esperado – de 15,44x este ano e 44,4x no próximo.

A instituição também prevê Ebitda de, respectivamente, R$ 963,0 milhões e R$ 559 milhões, o que acarreta em um VE/Ebitda (múltiplo que relaciona o valor da empresa com a sua capacidade de geração de caixa) de 7,5x em 2007 e 12,8x no ano seguinte.