Publicidade
SÃO PAULO – Seja qual for a verdadeira origem dos termos, o fato é que eles já são pronunciados por investidores há quase três séculos. Comumente utilizados para descrever a tendência dos mercados, bear market e bull market também têm sido utilizados para se referir aos diversos tipos de investidores.
Os bearish, que apostam em uma tendência futura negativa e os bullish, que creem justamente no oposto. Teoricamente, os termos relacionam um recuo ou avanço de mais de 20% desde o último patamar histórico. Porém, por definição, eles representam apenas uma forte tendência de baixa ou alta.
Mercado dos Ursos
Comecemos pelo bear market. A expressão é utilizada para descrever uma situação em que o mercado recua progressivamente ao longo do tempo e os investidores são motivados a vender suas posições, a fim de evitar prejuízos ainda maiores. Este movimento por vezes desencadeia um ciclo descendente difícil de superar, como foi o caso da Grande Depressão na década de 1930.
Algumas correntes no mercado acreditam que o termo tenha sido criado baseado em uma analogia aos antigos comerciantes de peles de urso. Como conta a história, tais mercadores, que esperavam por uma trajetória declinante de preços no futuro, vendiam peles de usos mesmo antes de os capturarem. Eventualmente, a expressão se tornou sinônimo de ações vendidas com base em especulações.
É incerto se essa é a verdadeira origem do termo, mas especula-se que ele já era usado antes de 1720. O ano foi marcado pela South Sea Bubble, uma bolha econômica que se deu por meio de especulações sobre o balanço da South Sea Company, e que desencadeou um considerável movimento de venda de ações. Com esse escândalo, o termo ganhou proeminência.
Mercado dos Touros
Por sua vez, o bull market é utilizado para descrever um mercado em que os preços dos ativos aumentam mais rapidamente do que é típico. Esta situação normalmente envolve um grande volume de investidores otimistas e dispostos a comprar ativos.
Continua depois da publicidade
A origem mais comum para o termo, porém, parece ser em resposta ao seu oposto. Especula-se no mercado que o primeiro uso ocorreu em meados do século XVIII. Em 1720, Alexander Pope teria escrito: “Os deuses devem cuidar de nossas ações (…) A Europa receberá o touro com prazer e Júpiter irá, com alegria, colocar urso pra fora.”
De cima para baixo e de baixo para cima
Ao longo dos anos, estes termos foram relacionados também a origens fictícias. Um dos mais usuais é a relação com os estilos de combate destes animais.
O ataque dos ursos, que geralmente ocorre de cima para baixo, indica a tendência de baixa. Enquanto o dos touros, que ocorre de baixo para cima, de alta. Outra explicação, porém menos frequente, é a de que os touros são mais propensos a serem mais violentos e os ursos mais preguiçosos.
Atualmente, muitos analistas consideram que o mercado acionário norte-americano vive um bear market, com preços extremamente baixos e investidores cautelosos. Mas, apesar disto, o mercado tem registrado alguns aumentos de preços recentemente, o que é comumente chamado de um rali de bear market.
Maior bull da história
Levando em conta a bolsa brasileira, o maior “bull” da história ocorreu durante o boom da BM&F Bovespa entre agosto de 1968 até julho de 1971, quando o mercado subiu nada menos que 900%.