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SÃO PAULO – A medida dos bancos centrais ajuda, mas a efetividade desta ação não poderá ser sentida em horas ou dias, clama Tom Sowanick, chefe de pesquisa da Clearbrook Research em relatório, logo depois do anúncio de uma ação coordenada de bancos centrais para reduzir as taxas básicas de juros.
Liderados pelo norte-americano Federal Reserve, o Banco do Canadá, Banco da Inglaterra, BCE (Banco Central Europeu), Banco da Suécia e da Suíça, implementaram cortes extraordinários em suas respectivas taxas básicas de juro, ao mesmo tempo. “Medidas sem precedentes em tempos sem precedentes”, avalia o banco Banif em relatório.
Para encontrarmos ação parecida, há que retroceder ao dia 18 de setembro de 2001.
| “Ainda há margem para mais cortes nas taxas de juros nas próximas semanas” |
Naquela ocasião, logo depois dos ataques terroristas de 11 de setembro aos EUA, para incentivar o consumo frente a um cenário de menor confiança dos consumidores, Fed, BCE, BoE e também o BoJ (Banco do Japão), reduziram as taxas de forma emergencial.
“O anúncio de hoje de uma ação coordenada de corte de juros, incluindo a Europa, China e outras grandes economias, é um sinal bem recebido de que os bancos centrais ao redor do mundo estão preparados para tomar os passos necessários para sustentar a economia global durante este período difícil”, disse Henry Paulson, secretário do Tesouro norte-americano, em nota.
Mais pela frente
Economistas consultados pela InfoMoney avaliam que a medida não deve ser isolada. “Estamos direcionados a ver mais iniciativas globais uma vez que há muito problema no sistema”, diz Sal Guatieri, economista sênior da BMO Capital Markets. Em dezembro do ano passado, em conjunto com os bancos centrais do Canadá, Inglaterra, Suíça e BCE, o Fed anunciou a criação dos leilões de recursos (Term Auction Facility) e também arranjos temporários cambiais recíprocos, para prover dólares ao mercado europeu. Para se ter uma idéia do recrudescimento dos problemas, o primeiro TAF disponibilizou US$ 20 bilhões. O último, realizado no dia 7 de outubro, movimentou aproximadamente US$ 140 bilhões.
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“A economia global irá continuar a enfraquecer no curto prazo, mas os esforços de hoje dos bancos centrais podem prevenir condições muito piores para daqui 6 a 12 meses”, afirma Scott J. Brown, economista-chefe da Raymond James & Associates. O FMI (Fundo Monetário Internacional) reduziu a projeção de crescimento para a economia mundial de 4,1% para 3,9% em 2008. A expectativa para 2009 caiu de 3,9%, para 3,0%, mostra o relatório Perspectivas Econômicas Mundiais, divulgado nesta quarta-feira. Para Brown, “ainda há margem para mais cortes nas taxas de juros nas próximas semanas, especialmente se os mercados de crédito seguirem apertados”.
| Bancos centrais em corrente | |
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EUA – Federal Reserve O Fed reduziu a sua taxa de juro básica em 50 pontos-base, para 1,5% ao ano. “O Comitê tomou esta decisão à luz de evidências que apontam um enfraquecimento da atividade econômica e uma redução das pressões inflacionárias”, diz o comunicado do Federal Reserve. Inglaterra – Bank of England Canadá – Bank of Canada Zona do Euro – Banco Central Europeu “Manter as expectativas de inflação firmemente ancoradas e em linha com nosso objetivo e assegurar a estabilidade de preço no médio prazo irá suportar o crescimento sustentável da economia, do emprego e contribuir para a estabilidade financeira”, diz o banco. |
Suécia – Sveriges Riksbank O Riskbank decidiu reduzir a taxa básica de juro do país em 50 pontos-base para 4,25% ao ano. Apesar dos acontecimentos serem de alguma forma diferentes na Suécia do que em outros países, um corte na taxa era necessário, diz o banco sueco. “O fato de que o corte é uma ação em conjunto com outros bancos centrais eleva a confiança e a probabilidade de que ela terá efeitos positivos”, mostra o comunicado. Suíça – Swiss National Bank
O BNS anunciou um corte de 50 pontos-base e reduziu a meta da taxa básica de juro para o patamar entre 2% e 3% ao ano. Segundo o banco suíço, o crescimento econômico da região será menor do que o previsto em sua última reunião. “Tendo em vista a melhoria das perspectivas da inflação, como resultado da desaceleração econômica e os menores preços do petróleo, o BNS é agora capaz de afrouxar sua faixa de política monetária”, diz em nota. Japão – Bank of Japan
O BoJ, ao contrário dos outros bancos centrais, não anunciou um novo corte em sua taxa básica de juro, porém também participou da ação. “O Banco do Japão continuará a fazer o melhor possível para assegurar a estabilidade nos mercados financeiros por meio de operações no mercado de crédito enquanto se mantém em cooperação próxima com outros bancos centrais”, diz o banco em comunicado. China e Hong Kong – The People’s Bank of China e Hong Kong Monetary Authority
O banco central chinês, antes do anúncio em conjunto, reduziu a taxa básica de juro pela segunda vez em três semanas. O corte foi de 27 pontos-base, para 6,93% ao ano. O HKMA, por sua vez, anunciou um corte 1 ponto percentual para, logo depois, reduzir a taxa em mais 50 pontos-base, para 2% ao ano. |
Estresse continua
“Neste ponto, podemos apenas esperar que as medidas funcionem para restaurar a confiança nos principais mercados”, afirma Guatieri. Mesmo com o anúncio dos cortes de juros nesta manhã, os investidores ainda reagiram com nervosismo. Há dúvidas quanto aos efeitos desta medida no mercado de empréstimos interbancários (overnight), congelados pela crise. Os bancos não têm mais confiança de emprestar recursos entre si, criando o fenômeno do empoçamento de liquidez. Para Lakshman Achuthan, diretor-geral do Instituto de Pesquisas de Ciclos Econômicos (ECRI, na sigla em inglês), é possível, mas não é provável que o interbancário retome o fôlego. “Os bancos estão muito defensivos e querem maximizar o dinheiro que têm em mãos”, explica.
| Mercados sofrem ao redor do mundo | |
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1.740 pontos (-0,83%) 984,94 pontos (-1,13%) 3.497 pontos (-6,31%) 38.593 pontos (-3,85%) 9.203 pontos (-9,38%) |
9.258 pontos (-2,00%) 5.014 pontos (-5,88%) 4.367 pontos (-5,18%) 1.359 pontos (-1,83%) 2.092 pontos (-3,04%) |
A Libor
(London Interbank Offered Rate), taxa preferencial de juros que é oferecida para grandes empréstimos entre os bancos internacionais que operam no mercado londrino, continua a indicar sinais de estresse. A taxa em dólar para três meses subiu 20 pontos-base, para 4,52% nesta quarta-feira, apesar da ação dos BCs. No início de setembro a taxa estava em 2,81%. “O aperto no mercado de crédito continua a se intensificar dia após dia”, aponta Brown, da Raymond James. “O esforço coordenado não é uma salvação, mas é um passo importante no processo de recuperação”, diz.
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Inflação de lado
Na justificativa dos bancos centrais, além do crescimento dos riscos à economia, os comitês destacam o arrefecimento das pressões inflacionárias. “Tendo em vista a melhoria das perspectivas da inflação, como resultado da desaceleração econômica e os menores preços do petróleo, o BNS é agora capaz de afrouxar sua faixa de política monetária”, revela o banco central da Suíça, em nota.
Achuthan destaca um indicador medido pelo instituto – referência para projeções econômicas -, o “ECRI’s Future Inflation Gauges for the U.S”, que tem caído nos últimos meses e, em setembro, atingiu o menor nível desde maio de 2002, a mesma tendência tem sido verificada no indicador para a Zona do Euro. “Esta é a medida correta em face dos efeitos deflacionários do importante impacto financeiro sobre os mercados desenvolvidos”, disse em nota o diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn.
Brown, da Raymond James, concorda: “a frágil economia deve aumentar a pressão sobre a inflação e um mercado de trabalho deteriorado deverá manter os custos do trabalho em baixa”. Em 30 dias, o preço do barril de petróleo negociado em Nova York apresenta um recuo superior a 30%. Além disso, o mercado de trabalho apresenta sinais de enfraquecimento. Em setembro, a economia norte-americana perdeu 159 mil postos de trabalho, segundo o Relatório de Emprego. Foi o nono recuo consecutivo. “É um contraste do que estávamos vendo em junho, quando as conversas eram acerca de uma elevação de juros coordenada para conter a inflação global”, completa o economista.