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SÃO PAULO – Sem surpresas, o BCE (Banco Central Europeu) anunciou a manutenção da taxa básica de juro para a Zona do euro em 1% ao ano. A ausência de novidades em política monetária foi acompanhada de um puxão de orelha nos bancos privados da região e do pessimismo em relação à recuperação do crescimento.
Jean-Claude Trichet, presidente da autoridade monetária européia, mostra-se descontente com a atuação das instituições financeiras que supervisiona. Em entrevista coletiva após a publicação da decisão sobre juro básico, ele afirmou que os bancos deveriam repassar à economia real os € 442 bilhões emprestados pelo BCE.
A irritação deve-se a uma característica europeia. À diferença dos Estados Unidos, em que diversos instrumentos – como derivativos e bônus corporativos – têm grande peso, o crédito a empresas na Europa é fornecido principalmente pelos bancos.
Todavia, estes tem empregado os recursos captados junto ao BCE para aumentar sua capitalização, reduzir sua exposição a ativos de baixa liquidez, o que diminui o efeito expansionista das medidas adotadas pelos formuladores de política monetária.
Esperar para ver
A despeito destas reclamações, os membros do Banco Central decidiram pela manutenção dos programas de afrouxamento quantitativo e da taxa básica de juro. “O BCE é muito firme no ‘esperar para ver'”, afirmaram analistas do banco francês Société Générale.
Para muitos, a espera excessiva pode levar os formuladores da política monetária a serem pegos de surpresa pela conjuntura econômica.
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Embora a postura do BCE seja mais cautelosa que a de instituições de porte comparável, como o Federal Reserve dos EUA e o BoE (Banco da Inglaterra), a injeção de recursos promovida desde o início da crise já chegou ao patamar de € 1 trilhão, ao passo em que a taxa básica de juro se encontra em mínima recorde.
Ao ser indagado sobre a estratégia de saída destas medidas, a ser adotada quando a economia recuperar-se, Trichet afirma que muito dos processos ocorrerão de forma automática. “O BCE visualiza uma situação em que os recursos emprestados serão lentamente reduzidos, enquanto a economia continua a recuperar-se”, destaca a instituição francesa, em relatório.
Pessimismo
O cenário traçado pelo BCE projeta a continuidade do declínio econômico ao longo deste ano, antes de estabilizar-se para só iniciar a recuperação do produto a partir do meio de 2010. “Acreditamos que o BCE está muito negativo”, afirmam analistas do Danske Bank.
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Para o economista Frank Hansen, do banco dinamarquês, a melhora apontada pelos indicadores de confiança nos últimos meses, bem como a recente surpresa com dados sobre a atividade na Ásia não basta para a autoridade europeia.
Mais cauteloso, o Société Générale quase mostra arrependimento. “Nossas próprias expectativas de que o ciclo de estoques possa promover um retorno para o PIB (Produto Interno Bruto) tão logo quanto no terceiro trimestre parecem vulneráveis”, afirmou o banco.