BCE continuará com papel essencial na Zona do Euro, aponta Ernst & Young

Empresa de auditoria adverte que, mesmo com resoluções da crise com acordo na Grécia, bloco ainda não saiu da crise

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SÃO PAULO – “O BCE (Banco Central Europeu) continuará tendo um papel crítico em 2012 para fornecer apoio extensivo à economia da Zona do Euro”. É o que diz o relatório da Ernst Young, que avalia também que, caso o ambiente econômico se deteriore, as taxas de juros precisarão se reduzidas ainda mais, para 0,5%.

De acordo com a empresa de auditoria, caso a autoridade monetária europeia não atue de forma mais contundente, uma série de calotes desordenados nas economias mais frágeis pode ocorrer, ameaçando o futuro da Zona do Euro. Para Marie Diron, assessora econômica da Ernst & Young, o risco do fim da Zona do Euro caiu graças ao acordo da Grécia e da maior atuação do BCE, mas não significa que o bloco já saiu da crise.

Entretanto, Diron se mostra otimista com as políticas do bloco europeu para lidar com os desafios, acreditando que elas serão bem-sucedidas e devem evitar qualquer dano estrutural permanente para o euro. “Mesmo assim, devido ao impacto da crise nas demonstrações financeiras dos bancos e também à questão das finanças públicas em muitos países, a recuperação será muito mais morosa do que a vivenciada após recessões anteriores”, avalia a assessora econômica.

Dificuldades à vista
A Ernst & Young aponta um cenário difícil, em meio as reformas que ainda serão executadas. “A dimensão da atual crise também pode ser o gatilho para amplas reformas na Zona do Euro, que poderiam ser consideradas difíceis de implementar”, avalia a empresa de auditoria.

Assim, deve haver uma mudança para aumentar o crescimento no médio e longo prazo e para garantir à região instrumentos de competitividade. De acordo com Mark Otty, sócio-gerente da consultoria para Europa, Oriente Médio, Índia e África, o Velho Continente deve realizar mais ações para melhorar as perspectivas para além de 2013, combatendo a rigidez do mercado de trabalho e melhorando a qualidade das instituições.

Além disso, Otty afirma que é necessário que o bloco econômico tome decisões difíceis para solucionar a questão do envelhecimento da população, além de encorajar um mercado único de serviços, o que pode melhorar as perspectivas de crescimento. “Ao tomar esses passos agora, os governos da Zona do Euro estarão também dando um grande passo para enfraquecer a atual crise e ajudando a prevenir a próxima”, afirma Otty.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.