BCE anuncia “QE europeu” com compra de títulos de 60 bilhões de euros por mês

Medida de estímulos veio acima dos rumores apontados pelo mercado; programa vai ser realizado pelo menos até setembro de 2016
(Divulgação/BCE)
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SÃO PAULO – O presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, anunciou nesta quinta-feira (22) o tão esperado programa de compra de títulos para estimular a economia europeia.

E ele veio acima dos rumores apontados pelo mercado: o programa de compra de títulos será de € 60 bilhões por mês, ante os rumores de compra de títulos de € 50 bilhões. O programa deve ser realizado ao menos até o final de setembro de 2016. 

“Decidimos lançar um programa de expansão maior, através do programa de ativos públicos e privados e continuará até a inflação ficar perto de 2% a médio prazo”, afirmou o presidente do BCE. Segundo ele, os títulos gregos não ficarão de fora do programa, mas com certas condições. O presidente da autoridade monetária ainda destacou que qualquer política monetária também tem implicação fiscal.

O anúncio feito pelo BCE hoje foi histórico, por ser a primeira vez que o BCE recorrer ao QE, um instrumento utilizado pelos EUA na crise financeira de 2008. Considerado o período de duração e a quantia de títulos comprados mensalmente, o BCE pretende injetar 1,14 trilhão de euros na economia da zona do euro até 2016. A operação prevê a compra de bônus soberanos com grau de investimento no mercado secundário e obedecerá a proporcionalidade da contribuição de cada Estado-membro à autoridade monetária. De acordo com esta regra, os países mais beneficiados serão Alemanha, França, Itália e Espanha, nesta ordem.

Preços no euro
Draghi disse nesta quinta-feira que os preços ao consumidor da zona do euro poderiam continuar caindo durante os próximos meses antes de lentamente se recuperarem até o final do ano.

Os preços ao consumidor da região caíram em dezembro pela primeira vez em mais de cinco anos, depois da queda significativa dos preços do petróleo, aumentando a preocupação das autoridades de que esse movimento poderia afetar as expectativas de inflação dos consumidores.

“A inflação anual deverá manter-se muito baixa ou negativa nos próximos meses”, disse Draghi em coletiva de imprensa após a reunião do BCE. “Essas taxas de inflação baixas são inevitáveis no curto prazo, dada a recente queda muito acentuada dos preços do petróleo e assumindo que nenhuma correção significativa ocorrerá nos próximos meses.”

Ele disse que a expectativa é de que a inflação aumente gradualmente mais tarde, em 2015 e em 2016, com as medidas de política monetária do BCE apoiando a demanda e assumindo um aumento gradual dos preços do petróleo.

O BCE espera a inflação em 0,7 por cento este ano e em 1,3 por cento em 2016, inferior à meta de abaixo, mas perto de 2 por cento. As projeções poderiam, no entanto, ser revistas para baixo, pois ainda não refletem plenamente a recente queda nos preços do petróleo.

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(Com Reuters e Agência Estado)

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.