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SÃO PAULO – Sem fazer este tipo de operação desde meados de agosto, o Banco Central voltou a realizar leilão de compra de dólares no mercado à vista nesta segunda-feira (5), definindo a taxa de corte em R$ 1,8150.
O retorno das atuações da instituição já era esperado, à medida que a taxa de câmbio acentuasse sua trajetória de queda, conforme observado nas sessões recentes. Surpreende, no entanto, a retomada das operações em um dia de baixo volume financeiro nas bolsas, por conta do feriado nos EUA.
Muito embora os mercados acionários norte-americanos funcionem normalmente, não há negociação com Treasuries, eliminando o referencial global de taxa de juro de longo prazo.
Algo diferente era previsto
Para Sidnei Moura Nehme, diretor da NGO Corretora, seria mais natural, inicialmente, a volta dos swaps cambiais reversos. Em um segundo momento, as compras no mercado à vista seriam adotadas.
Segundo Nehme, o fato sinaliza o desejo do Banco Central em ter um dólar acima do “piso” de R$ 1,80, sugerindo que a decisão de voltar ao mercado cambial não foi tomada nesta segunda-feira. Quando da aproximação da taxa de câmbio a este nível, haveria uma intervenção já pré-determinada.
Deve seguir caindo
Acreditar, contudo, na capacidade do BC de impedir a trajetória de apreciação do real pode ser inadequado. Análise gráfica realizada pelo banco Santander e publicada em relatório com perspectivas semanais afirma que “não existe mais suporte no curto prazo para a taxa de câmbio, nem sinal de reversão da tendência de queda”.
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No mesmo sentido, o diretor da NGO Corretora salienta que dificilmente o Banco Central conseguirá impedir a perda da marca de R$ 1,80. As intervenções podem gerar volatilidade e amenizar a velocidade da apreciação cambial, mas não devem interromper a tendência, conclui Nehme.
Para embasar a perspectiva de um real forte, Miriam Tavares, diretora da AGK Corretora de Câmbio, destaca a classificação de menor risco para os ativos brasileiros em meio a uma conjuntura internacional favorável e à melhora dos fundamentos macroeconômicos. Associados, os fatores abrem espaço para valorizações adicionais do câmbio, conclui.
O Banco Central deve contribuir para uma menor intensidade da queda do dólar, mas dificilmente conseguirá, sozinho, impedir a apreciação da moeda local.