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CAMPOS DO JORDÃO* – A credibilidade do Banco Central em relação ao cumprimento das metas de inflação diminuiu drasticamente ao longo do tempo, num movimento chamado pela economista Monica Baumgarten de Bolle de ‘credibilidade Benjamin Button’ – que começa alta e termina no zero – em referência ao personagem do cinema que nasce idoso e morre como um bebê.
“Fizemos estudo detalhado para a credibilidade da meta de inflação de 4,5%. Em 2007, cerca de 70% a 80% dos agentes acreditavam que a inflação ficaria no centro da meta. Como Benjamin Button, essa credibilidade veio caindo ao longo do tempo. Em 2010 foi para 30% e hoje está próximo de zero. Ninguém mais acredita que a inflação vai ficar no centro da meta”, disse Monica durante o congresso da BM&FBovespa que acontece em Campos do Jordão (SP).
A economista aponta que o governo tem feito esforços para segurar os preços via medidas como a defasagem do preço dos combustíveis, a intervenção nos preços de energia e a desistência de elevar os preços das passagens de ônibus. Se isso não acontecesse, a inflação estaria ainda mais elevada.
Monica também lembra que há possibilidade de nova quebra de grãos nos EUA neste ano e que existe pouco espaço para o Brasil acomodar um novo choque de preços. “Por isso o governo prefere postergar um aumento na gasolina”, afirmou. Sobre o efeito da desvalorização cambial nos preços, ela diz que não é possível saber o efeito exato. “Com a economia mais forte, fica mais fácil repassar preços. Com a economia fragilizada, fica mais difícil. Mas o repasse uma hora ou outra vai acontecer”, afirmou.
PIB
Nesta sexta-feira (30), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) divulgou que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre foi de 1,5%, acima das perspectivas do mercado. A economista, que por conta do evento não pode analisar os dados minuciosamente, lembrou que é preciso lembrar que o PIB é um reflexo do que aconteceu há alguns meses na economia do país.
“O PIB é um espelho do passado e sai com alguma defasagem. Em alguns casos, quando o país tem uma trajetória contínua, o passado dá uma ideia do que pode vir. Mas não acho que este seja o caso do Brasil”, disse Monica. “Olhando o número como um todo, o que tivemos nos últimos meses foi uma quebra na economia brasileira, mas este espelho não traz uma boa ideia do que pode acontecer daqui para frente. Em relação ao PIB do terceiro trimestre, é difícil analisar, mas eu diria que o crescimento parece ‘parado’”, continuou a economista.
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*O jornalista viajou a convite da BM&FBovespa