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SÃO PAULO – O Banco Central anunciou nessa quinta-feira que decidiu revisar as estimativas sobre as contas do setor externo brasileiro em 2003, em função da possibilidade de um conflito armado entre o Iraque e os EUA. De acordo com o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, as projeções são bastante conservadoras, devido à possibilidade do conflito.
Volume de recursos estrangeiros deve cair em 2003
O Banco Central revisou para baixo a projeção de ingresso de investimentos estrangeiros diretos no país em 2003 de US$ 16 bilhões para US$ 15 bilhões, no entanto, a estimativa para o déficit em transações correntes foi reduzida de US$ 6,557 bilhões para US$ 5,581 bilhões. Finalmente, o BC decidiu revisar a projeção de superávit comercial, de US$ 15 bilhões para US$ 16 bilhões.
As projeções são bastante conservadoras e refletem a tendência desse momento, quando a taxa de rolagem das linhas de crédito permanece baixa, com predominância das operações de curto prazo. Estima-se que as linhas de médio e longo prazo devem atingir US$ 20,910 bilhões frente aos US$ 21,910 previstos anteriormente. Enquanto isso, as linhas de curto prazo devem movimentar em torno de US$ 1 bilhão frente aos US$ 500 milhões estimados anteriormente.
Os lançamentos de bônus do governo federal no exterior devem recuar de US$ 4 bilhões para US$ 3 bilhões, enquanto isso, o BC estima que cerca de US$ 7,3 bilhões devem vencer esse ano. Desse montante, cerca de US$ 2,5 bilhões serão referentes a despesas com juros líquidos e US$ 4,797 bilhões serão relativos ao pagamento de principal com dívidas.
Vale ressaltar que essas projeções não levam em consideração a possibilidade de novos saques de recursos do FMI (Fundo Monetário Internacional). No acordo assinado com o Fundo, o Brasil pode sacar em torno de US$ 24 bilhões esse ano, desde que cumpra as metas.