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SÃO PAULO – O diretor de Política Monetária do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou na última segunda que o saldo comercial neste ano atingirá entre US$ 12 e US$ 13 bilhões neste ano e o déficit em conta corrente do País deve atingir US$ 9 bilhões em 2002, pouco menos de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), podendo chegar inclusive próximo de 1% do PIB.
Ainda segundo Goldfajn, os investimentos diretos no País, que até o momento somam US$ 14 bilhões, devem atingir US$ 16 bilhões até o final do ano. Desta forma, é esperado saldo positivo de US$ 7 bilhões o que, na visão do diretor do BC, tornaria o passivo externo brasileiro, que deve atingir US$ 280 bilhões, perfeitamente administrável.
Aversão a risco
Mesmo assim, Goldfajn afirmou que não foi possível conter a alta do dólar, que já acumula valorização próxima de 60% neste ano. Nesse sentido, a falta de informação de investidores, principalmente estrangeiros, associada a uma crise de confiança sem precedentes, após os escândalos contábeis nos EUA, além da moratória da Argentina, imprimiram drástica mudança no fluxo de capitais em 2002, gerando uma aversão a risco não somente nos países emergentes.
Com isso, as linhas externas registraram queda contínua, de US$ 19 bilhões no início do ano para US$ 16 bilhões em outubro. Para piorar, as incertezas foram agravadas com as eleições no Brasil, com os investidores temendo atitudes que um governo de oposição poderia tomar caso fosse eleito.