Publicidade
SÃO PAULO – Graças ao bom desempenho da economia brasileira, com destaque para o expressivo resultado da balança comercial, o Banco Central revisou para cima suas projeções em relação às metas de superávit nas transações brasileiras com o exterior, pela terceira vez no ano.
Neste sentido, o BC acredita que a conta de transações correntes feche positiva em US$ 6,7 bilhões este ano. Valor este bem acima dos US$ 2,5 bilhões projetados anteriormente e muito superior aos US$ 6,3 bilhões negativos registrados em setembro de 2003.
Saldo em transações correntes deve recuar em 2005
Porém, o Banco Central acredita que o saldo em transações correntes deva ser reduzido no futuro, apresentando um resultado menos robusto em 2005.
Isso porque, segundo estimativas do próprio banco, as importações devem começar a crescer mais que as exportações, refletindo um câmbio mais apreciado. Com isso, em 2005, o superávit nas contas externas deve cair significativamente e se apresentar em US$ 100 milhões.
Tesouro aproveita bom momento e amplia captações
Em relação às captações externas, o Banco Central, na condição de agente econômico do Tesouro, tem aproveitado o bom momento vivido pela economia nacional e a melhor percepção dos investidores internacionais para elevar o volume de suas captações em moeda estrangeira.
Para se ter uma idéia, com as captações realizadas na quarta-feira, dia 22 de setembro, sobe para US$ 5,7 bilhões o volume captado pelo Tesouro de acordo com o cronograma estabelecido em 2004, que teve inicio em outubro de 2003 com o lançamento de US$ 1,5 bilhão e previa um total de US$ 5,5 bilhões.
Continua depois da publicidade
Em 2005, a meta è captar mais US$ 6 bilhões. Com isso, começam as especulações sobre uma possível antecipação do cronograma, já que o volume captado até o momento já supera a meta anteriormente estipulada.
Copom eleva sua meta de inflação para 2005
Em sua ata, divulgada nesta terça-feira, dia 23 de setembro, o Copom (Comitê de Política Monetária) sinalizou que, devido à inércia inflacionária advinda da maior alta dos preços em 2004, as metas de inflação a serem perseguidas em 2005 sofrerão algumas alterações.
Dessa forma, o Copom revelou que suas ações de política monetária serão orientadas de forma a perseguir uma inflação de 5,1% no próximo ano. Dado esta afirmativa, o BC reconhece que os índices de inflação vão terminar 2004 acima da meta de 5,5% estabelecida para 2004, logo, o excesso terá impacto sobre os resultados de 2005 devido à inércia inflacionária.
Continua depois da publicidade
Para os analistas do CSFB, apesar de na prática isso representar um aumento nas metas de inflação, essa mudança não deve alterar as ações do BC, que continuará seguindo com sua ortodoxa e rígida política monetária.
Em sua ata o Copom mostrou-se bem claro ao dizer que não será menos tolerante em relação a choques que tirem a inflação do seu novo objetivo de 5,1%, o que reforça as expectativas dos analistas do banco CSFB de que o colegiado continuará elevando gradualmente a Selic em 2004 até o patamar de 17% ao ano.
Apreciação cambial deve segurar inflação
Em relação ao mercado de câmbio, o Credit Suisse First Boston acredita que o Banco Central tirará o maior proveito possível de eventuais choques favoráveis, entre os quais inclui-se a apreciação cambial.
Continua depois da publicidade
Dessa maneira, qualquer intervenção no câmbio deve ser postergada para permitir que um Real mais apreciado diminua o preço dos produtos importados e contribua para a queda da inflação em 2005.