BC prevê inflação acima do centro da meta em 2010 e alta de 7,3% no PIB

Estimativa é de que o IPCA fique em 5,4% no ano; no último Relatório de Inflação, projeção era de avanço de 5,8% na economia

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SÃO PAULO – O Banco Central elevou as projeções para inflação e PIB (Produto Interno Bruto) brasileiros neste ano, conforme o Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quarta-feira (30). Agora, a autoridade monetária considera em seu cenário de referência um avanço de 7,3% na economia brasileira, ao invés dos 5,8% previstos no relatório de março.

Ademais, o BC prevê inflação acima do centro da meta em 2010, considerando uma consolidação do atual ciclo de expansão da economia brasileira. A estimativa é de que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medida oficial da inflação doméstica, registre alta de 5,4% neste ano, 0,2 ponto percentual acima da projeção anterior e 0,9 ponto percentual acima do centro da meta estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), de 4,5%.

“As perspectivas para a inflação nos próximos meses devem refletir o desempenho robusto da demanda interna, em um cenário de expansão da economia doméstica ao longo do ano, bem como possíveis impactos da elevação dos preços de matérias primas e de mão-de-obra”, apontou o relatório.

Em maio, o IPCA, registrou alta de 0,43%, ante 0,57% no mês anterior. Em 12 meses, o avanço foi de 5,22%, abaixo do observado nos 12 meses anteriores (5,26%).

Crédito
De acordo com o Relatório Trimestral de Inflação, as operações de crédito seguiram em expansão, tendo oferecido suporte para o aumento do consumo no País. Essa alta, segundo o BC, “ocorreu com mais intensidade no segmento de empréstimos direcionados, com ênfase nas operações concedidas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ) e nos financiamentos habitacionais”.

A autoridade monetária ainda observou uma redução nas contratações de crédito por parte de pessoas jurídicas o que foi justificado pelo aumento da demanda das empresas por recursos provenientes do mercado de capitais e do mercado internacional.

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Política fiscal
Segundo o relatório, a trajetória de alta do nível da arrecadação pública deverá ser sustentada ao longo do ano pela reversão de parte das desonerações tributárias introduzidas durante a crise internacional, dentre outros.

Em termos do déficit em conta corrente, que vem aumentando devido à expansão da demanda por bens e serviços importados, a expectativa é que a conta de serviços e de renda mantenha o saldo negativo, enquanto a conta financeira segue sustentada pelo ingresso líquido de investimento estrangeiro direto, “apresentando fluxos suficientes para o financiamento das transações correntes”.

Noticiário internacional
Por fim, o Banco Central afirma que o “setor externo segue contribuindo negativamente para o crescimento do PIB, desempenho compatível com o descompasso entre o ritmo de crescimento da economia brasileira e o de parte relevante de seus parceiros comerciais”.

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Na visão da autoridade monetária, a crise fiscal europeia contribui para elevar a aversão ao risco, podendo restringir o ingresso líquido de fluxos externos nas economias emergentes e pesando sobre o preço dos seus ativos. Entretanto, o relatório ressalta que, “até o momento, as eventuais repercussões têm sido limitadas”.

Cenário de referência
Levando em consideração as alterações realizadas pelo Banco Central em suas projeções, o cenário de referência para o Copom (Comitê de Política Monetária) possui como premissas uma taxa de câmbio de R$ 1,80 por dólar e a taxa Selic a 10,25% ao ano, conforme definido pelo comitê na reunião de junho.

As projeções ainda pressupõem o cumprimento das metas para o superávit primário de 3,3% do PIB, segundo o BC, “ajustada pela possibilidade de que o percentual seja reduzido em até 1,12 ponto percentual em virtude da implementação dos projetos vinculados ao PAC (Programa de Aceleração de Crescimento)”.

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