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SÃO PAULO – Em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado na manhã desta segunda-feira (22), o Banco Central prevê uma desaceleração do ritmo da inflação para os próximos trimestres, em grande parte proporcionada pela retração da demanda mundial e pelos efeitos cíclicos da política monetária contracionista aplicada neste ano.
Para o ano que vem, a projeção acumulada para a variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em doze meses parte de 6,3% no primeiro trimestre e atinge 4,7% no último, abaixo do previsto para 2008. Em relação ao quarto trimestre de 2010, a projeção se encontra em 4,2%.
Ao centro da meta
Segundo as previsões do BC, a inflação acumulada em doze meses deverá recuar para 6,1% no primeiro trimestre de 2009, ao passo que manterá sua tendência declinante e encerrará o ano em 4,5%, igualando-se, portanto, ao valor central da meta estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).
“Esse movimento em parte reflete as expectativas de apreciação da taxa de câmbio ao longo de 2009”, revela o Banco Central. Ainda de acordo com o cenário traçado (manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano e taxa de câmbio constante em R$ 2,40), a projeção para a inflação acumulada em doze meses alcança 4,3% no último trimestre de 2010.
Ainda assim, a inflação medida pelo IPCA deve acumular variação 6,2% em 2008, 0,1 ponto percentual acima daquela do relatório anterior e superior ao valor central de 4,5% para a meta estabelecida pelo CMN.
Atividade econômica
Assim como outros bancos centrais, o Bacen espera um retrocesso da atividade econômica no âmbito internacional e nacional, mas projeta um impacto menor sobre a economia brasileira.
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De acordo com o cenário de referência, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) previsto para 2008 se elevou para 5,6%, 0,6 ponto percentual acima do valor projetado no Relatório de Inflação de setembro, enquanto a projeção para 2009 se encontra em 3,2%.
Entre os fatores que deverão afetar o crescimento, o BC destaca a redução da confiança dos consumidores e empresários brasileiros, bem como o arrefecimento da produção industrial e do nível de investimento.
Mercado de crédito e contas públicas
O estreitamento da liquidez, devido à “acentuada contração da liquidez em escala global”, contribuiu para que se verificasse uma redução no fluxo do mercado de crédito doméstico, ressalta o BC.
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Segundo o documento, este cenário de menor liquidez e queda da atividade global deverá determinar uma piora no resultado do balaço de pagamentos em 2009, assim como no nível importado e exportado doméstico.
A arrecadação federal também sofrerá impactos diante do menor crescimento previsto para o próximo ano, alerta o BC, como também poderá haver um incremento das despesas em itens como o seguro-desemprego.