BC: preços dos alimentos protagonizam queda dos índices de inflação

Relatório do BC aponta ainda outras contribuições para redução dos índices, com destaque para o grupo vestuário

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SÃO PAULO – A redução de preços observada no trimestre de junho a agosto de 2008, tanto para os alimentos no mercado nacional, quanto para os produtos comercializados largamente no mercado internacional (as commodities agrícolas), foi a principal influência para a queda dos índices de inflação no período considerado. A análise é do Banco Central, e integra seu relatório trimestral de inflação, divulgado nesta segunda-feira (29).

A conclusão do BC, com base na observação do recuo da inflação, é que a incerteza relativa à trajetória do aumento de preços começa a ser dissipada. O destaque do Banco, além da política monetária, é a acomodação de preços internacionais.

Influência dos alimentos

O IPC-BR (Índice de Preços ao Consumidor-Brasil), por exemplo, cresceu 1,45% no trimestre encerrado em agosto, contra 2,05% no encerrado em maio. Esse relatório, conforme a observação do BC, esteve associado fundamentalmente à menor elevação do preço de produtos alimentícios, embora a queda dos preços de artigos de vestuário também tenha contribuído.

Colocando o foco sobre o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), também foi observada redução no avanço da inflação, em comparação com o trimestre encerrado em maio. Os alimentos in natura foram os que mais influenciaram a redução de 1,83% na variação trimestral anterior para 1,56% na atual.

Oscilações em outros grupos

Além dos alimentos, também foram observadas reduções nos índices de inflação de outras categorias. A variação dos preços livres do IPCA, excluído o grupo alimentação, atingiu 1,12% no trimestre encerrado em agosto, contra 1,35% no finalizado em maio. Novamente, aqui, a maior influência para a redução partiu do grupo vestuário, com participação importante do grupo educação.

Os preços dos serviços, mais sensíveis à evolução da procura, tiveram variação de 1,30% no trimestre que terminou em agosto, contra 1,19% no anterior. No ano, a variação do IPCA para o grupo de serviços acumulou elevação de 4,45%, contra 3,74% no ano passado.

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Considerando os preços administrados por contrato e monitorados pelo governo, houve aumento de 1,17% no trimestre encerrado em agosto. Segundo o relatório do BC, a trajetória de aceleração com relação ao trimestre anterior, quando o indicador acumulou variação de 0,88%, refletiu, principalmente, a elevação dos preços das tarifas de telefone fixo, plano de saúde, taxa de água e esgoto e energia elétrica.

Evidenciando os reajustes autorizados em julho pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), a tarifa de telefone fixo variou 2,90% no trimestre. O aumento da taxa de água e esgoto atingiu 3,12%.