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SÃO PAULO – Em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado na manhã desta quarta-feira (29), o Banco Central anunciou suas perspectivas para a evolução dos preços, projetando para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) uma variação de 6,1% no final deste ano, bem acima do centro da meta de 4,50% estipulada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).
Tal projeção está associada ao cenário de referência, que admite como pressupostos uma taxa de câmbio em R$ 1,80 e uma meta para a taxa Selic em 13,75% ao ano. A expectativa de 6,1% é 0,1 ponto percentual superior àquela apresentada no relatório de junho, quando as referências adotadas foram de um câmbio a US$ 1,65 e uma meta para o juro básico em 12,25% ao ano.
Ainda com base no cenário de referência, o IPCA deve apurar uma alta nos preços de 5,7% no anualizado dos primeiros três meses de 2009, ano em que deve encerrar com variação de 4,8%. Os números denotam uma expectativa de desaceleração da inflação, mas que, ainda assim, situa-se acima da meta de 4,5% do CMN.
Outras estimativas que sofreram alteração frente ao relatório publicado no sexto mês do ano foram as relativas ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), que no cenário de referência, deverá apresentar uma expansão de 5,0% em 2008, acima dos 4,8% previstos anteriormente pelo Banco Central.
Cenário de mercado
No chamado cenário de mercado, que considera os dados da pesquisa conduzida pela Gerin junto a analistas do setor privado, a projeção para a inflação oficial acumulada em 2008 é de 6,0%, em linha com o relatório de junho e levemente abaixo da traçada pelo cenário de referência.
Ainda de acordo com o cenário de mercado, que passou a adotar como pressupostos uma taxa Selic média a 14,13% ao ano e uma taxa de câmbio de R$ 1,65 – acima e abaixo dos adotados em junho, respectivamente -, a inflação acumulada em doze meses deve encerrar 2009 a 4,7%.
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Riscos à inflação
Na visão do Banco Central, o principal risco a um cenário inflacionário benigno no País ainda reside no plano doméstico, marcado por “um profundo descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e o da oferta, em um contexto de pressões – observadas em escala global – nos preços de commodities (…) que, a despeito do arrefecimento registrado nas últimas semanas, ainda se encontram em patamares historicamente elevados”.
Ao passo que lá fora, certo arrefecimento na expansão das economias emergentes e as turbulências sofridas nos mercados desenvolvidos possam continuar trazendo queda às cotações das commodities, por aqui, a previsão é de continuidade do crescimento robusto do consumo, alimentado pela maior taxa de emprego, pela expansão na renda salarial e pela ampliação das operações de crédito, que seguem aquecidas.