BC eleva projeções para inflação em 2008, com base em riscos domésticos

No cenário de referência, inflação deve fechar 2008 a 4,6%, acima da meta; projeções para PIB também foram acrescidas

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SÃO PAULO – Em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado na manhã desta quinta-feira (27), o Banco Central anunciou suas perspectivas para a evolução dos preços, projetando para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) uma variação de 4,6% no final deste ano, acima da meta de 4,50% estipulada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Tal projeção está associada ao cenário de referência, que admite como pressupostos a manutenção da taxa de câmbio constante em R$ 1,70, sem alterações durante o horizonte de previsão, além da meta para a taxa Selic em 11,25%. Para 2009, a projeção para o IPCA, com base neste cenário, está em torno de 4,4%, abaixo do centro da meta de inflação.

As novas projeções para a inflação são superiores àquelas apresentadas no relatório apresentado em dezembro do ano passado. Segundo o BC, de fato, “as perspectivas para a inflação estão cercadas por maior incerteza, quando comparadas àquelas prevalentes no último Relatório”.

Em relação ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, o Banco Central projeta, de acordo com o cenário de referência, um crescimento econômico de 4,8% para este ano, acima da expansão de 4,5% prevista no relatório de dezembro de 2007.

Cenário de mercado

No chamado cenário de mercado, que considera os dados da pesquisa conduzida pela Gerin, a projeção para a inflação oficial acumulada em 2008 é de 4,7%, levemente acima da traçada pelo cenário de referência e superior também à projetada no último relatório, de 4,3%, além de superar o centro da meta de inflação estabelecida pelo CMN.

Ainda de acordo com o cenário de mercado, que adota como pressupostos a manutenção da taxa Selic a 11,25% ao ano e uma taxa de câmbio de R$ 1,74, a inflação acumulada em doze meses deve encerrar 2009 a 4,8%, ligeiramente acima da projetada para este ano.

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Riscos à inflação

Dentre os principais riscos traçados pelo Banco Central a um cenário inflacionário benigno no país, do lado externo, estão uma desaceleração econômica global maior do que a já esperada e o comportamento dos preços internacionais de commodities, principalmente o barril de petróleo, que afeta preços domésticos de combustíveis e outros derivados, especialmente do setor petroquímico.

No entanto, “a despeito do quadro de incerteza que cerca a economia mundial, o principal risco inflacionário advém de fatores internos, com a robustez da demanda doméstica exercendo pressão sobre a capacidade de oferta de praticamente todos os setores da economia”, nas palavras do BC.