BC dá início ao programa de captações de 2005 e emite US$ 1 bi em bônus globais

Frente à forte demanda, oferta inicial de US$ 750 milhões em bônus de 15 anos foi ampliada para US$ 1 bilhão

Publicidade

SÃO PAULO – Após ter concluído com êxito em setembro o programa de captações soberanas deste ano, que tinha como meta a emissão de US$ 5,5 bilhões em bônus, o Brasil anunciou nesta quarta-feira, dia 6 de outubro, uma nova captação de títulos. Neste contexto, o Tesouro Nacional realizou a primeira operação do programa de captações de 2005, que prevê a emissão de US$ 6 bilhões em bônus.

Pela manhã, o Banco Central anunciou a escolha dos bancos JP Morgan e Citigroup para liderarem a operação, não oferecendo, contudo, detalhes adicionais. Neste sentido, foi somente no final desta tarde que o BC confirmou os termos da captação, anunciando que foi emitido o montante de US$ 1 bilhão em títulos de 15 anos, com prazo de vencimento em 14 de outubro de 2019.

BC amplia oferta inicial e capta US$ 1 bilhão

A oferta inicial foi de US$ 750 milhões, mas o BC resolveu ampliar o montante em resposta à forte demanda do mercado. Ainda de acordo com informações da instituição, os títulos têm um rendimento, ou yield, de 9,15% ao ano, tendo sido colocados no mercado ao preço de 97,780% de seu valor de face. Vale ainda destacar que o cupom do novo bônus global é de 8,875% ao ano.

Além disso, o spread foi de 492 pontos base, ou 4,92% ao ano acima dos títulos do Tesouro norte-americano. A última colocação de bônus soberanos em dólares feita pelo Brasil foi realizada em 8 de julho, quando foram captados R$ 750 milhões em títulos de 10 anos. As boas condições atuais do mercado ficam evidentes na comparação do spread da emissão anunciada nesta quarta-feira com a anterior, que apesar do prazo menor, foi realizada a 623 pontos base.

Momento é bom para novas captações

Na opinião de analistas do mercado, o Banco Central acerta o momento de realizar novas captações, já que, apesar do elevado patamar do preço do petróleo no mercado internacional, o risco país encontra-se em um nível bastante baixo, operando próximo dos 440 pontos base. Isto mostra a boa percepção do investidor internacional em relação à economia brasileira, sobretudo após a elevação do rating soberano do país pelas agências internacionais de classificação de risco.

Além disso, a economia brasileira vem mostrando sinais consistentes de recuperação, especialmente em função do bom desempenho da balança comercial. Dessa maneira, o mercado já aposta em um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro da ordem de 4,5% em 2004, conforme as projeções contidas no relatório Focus, do Banco Central, o que amplia mais ainda o apetite dos investidores por bônus brasileiros.