BBVA prevê retomada gradual para o mercado petrolífero em 2009 e 2010

Principais determinantes de preço não devem fugir da típica relação entre oferta e demanda; produtores com problemas fiscais

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SÃO PAULO – Incorporando os efeitos da crise econômica global, os analistas do BBVA traçam projeções para o mercado petrolífero em 2009 e 2010 e suas estimativas de preço médio para o barril neste biênio.

O mercado de petróleo pode ser considerado um espelho da crise, que começou como financeira e já acabou por se transformar em econômica, se observada a trajetória das cotações desde meados de julho do ano passado.

Desde seu pico, em torno dos US$ 147 o barril, a enxurrada de notícias sobre a economia global e alguns dados, principalmente dos Estados Unidos, Europa e Japão, derrubaram os preços dos contratos negociados em Nova York em mais de 75%.

Quais os principais drivers?

Em meio às dúvidas quanto ao rumo da atividade nos países de primeiro mundo surge uma outra questão de peso: até onde as cotações podem chegar? E quais são os principais fatores que movimentaram o mercado petrolífero em 2009 e 2010?

Segundo os analistas do BBVA, os fundamentos deverão continuar os mesmos, sendo eles relativos à demanda e à oferta da commodity no mercado internacional. Em segundo plano, os dados sobre o setor poderão afetar também o mercado.

Dentre os principais fatores ligados à demanda de países como os EUA, para os quais é esperada uma forte queda na demanda pelo combustível, que pode chegar a mais de 5%, além de um crescimento bem inferior a média das nações emergentes.

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Ótica da oferta

Já pelo lado da oferta, dois fatores devem dividir o mercado, sendo eles as medidas da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para equilibrar, e o sentimento dos investidores quanto à verdadeira eficácia dessas ações.

Não descartando um aprofundamento da queda dos preços no início de 2009, alguns produtores podem optar por manter suas reservas debaixo da terra ou formar grandes estoques, à espera de uma recuperação dos preços.

Impactos no orçamento

Além das preocupações de investidores e produtores, a queda dos preços traz à tona um ponto importante para alguns países que são extremamente dependentes de suas exportações de petróleo, como Arábia Saudita, Venezuela, Rússia e Irã.

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O balanço fiscal dessas nações acompanha de perto o movimento dos preços, sendo que uma queda muito abrupta das cotações não deixa espaço para as autoridades conseguirem equilibrar o orçamento, e as forçam a fazer malabarismos com as suas contas públicas.

Pelas contas do FMI (Fundo Monetário Internacional), para a Arábia atingir seu nivelamento, o barril deveria ficar na casa dos US$ 50, enquanto que na Rússia esse valor seria um pouco mais alto, em torno dos US$ 70. Já para o Irã e Venezuela a situação é um pouco mais delicada, e necessitaria de um valor aproximado de US$ 80.

Retomada dos preços

Tendo em vista este cenário, o BBVA acredita em uma recuperação gradual das cotações durante o ano de 2009 e 2010. Fatores como a queda nas taxas de produção de reservas já descobertas, além do reaquecimento da economia global deverão impulsionar os preços nos mercados internacionais.

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Na opinião dos analistas, durante os próximos períodos, valores mais altos para o barril serão necessários para equilibrar os elementos da oferta e da demanda. E apesar desses baixos preços serem bem-vindos por consumidores, o mercado corre o risco de ver investimentos no setor irem por água abaixo.

Incorporando todos esses fatores, o BBVA aposta em um preço médio por barril na casa dos US$ 46 durante este ano, e de US$ 49 para 2010. Em 2011, quando se é esperada uma recuperação da economia e da demanda pela commodity, o preço médio deve chegar a US$ 61 fechando o ano na casa dos US$ 70.