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Após meses entre os destaques da Bolsa, as ações das seguradoras brasileiras começaram a perder o favoritismo entre os analistas de investimento.
Na última semana, Morgan Stanley e JPMorgan rebaixaram suas recomendações para empresas do setor, citando principalmente a forte valorização recente das ações, que reduziu o potencial de alta dos papéis, em meio a um cenário de crescimento mais desafiador.
Na avaliação do JPMorgan, que rebaixou Caixa Seguridade (CXSE3) para equivalente à venda e manteve a recomendação de BB Seguridade (BBSE3) também para venda, o desempenho recente do setor foi impulsionado principalmente pela migração global para ações de seguradoras, favorecida pela perspectiva de juros elevados por mais tempo, e pela busca doméstica por setores defensivos diante do aumento da incerteza política. No acumulado do ano, Caixa Seguridade avança cerca de 29% e BB Seguridade tem ganhos de cerca de 23%.
Para o banco, porém, esse movimento já parece refletido nos preços das ações. Segundo suas estimativas, cada aumento de 1 ponto percentual na Selic eleva o lucro por ação da Caixa Seguridade e da BB Seguridade entre 1% e 2%, impacto considerado insuficiente para justificar os múltiplos atuais.

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Na visão do Morgan Stanley, que rebaixou CXSE3, BBSE3 e também Porto (PSSA3), um dos principais debates sobre as seguradoras brasileiras é se juros elevados são, no fim das contas, positivos ou negativos para os resultados.
Embora taxas mais altas impulsionem as receitas financeiras, elas também desaceleram a economia, enfraquecem a concessão de crédito e reduzem a demanda por diversos produtos de seguros.
O banco avalia que o mercado tem dado maior peso ao benefício das receitas de investimentos, subestimando a crescente pressão sobre os fundamentos operacionais. A instituição ressalta que as seguradoras tendem a se beneficiar mais de um ciclo de alta dos juros do que de um cenário em que as taxas permanecem elevadas por muito tempo.
O banco projeta que a Selic permanecerá em 14% nos próximos seis meses e recuará para uma média de 12% em 2027, o que deve exercer pressão moderada sobre as receitas financeiras das seguradoras.
Ao mesmo tempo, observa que a deterioração dos resultados de subscrição (underwriting) se torna mais evidente, com crescimento mais fraco dos prêmios, aumento da sinistralidade em alguns segmentos e maior intensidade competitiva. Com isso, o crescimento dos lucros tende a depender cada vez mais da execução operacional, e não apenas das receitas financeiras.
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A avaliação da Monte Bravo vai na mesma direção, embora por razões específicas para cada companhia. A casa atualizou sua visão em BB Seguridade como neutra e iniciou a cobertura de Caixa Seguridade (CXSE3) e Porto (PSSA3) também com recomendação neutra, com base nos resultados do primeiro trimestre de 2026.
Apesar da mesma classificação para as três empresas, a instituição destaca fundamentos distintos para cada papel.
No caso da BB Seguridade, a principal preocupação é o risco de renovação contratual, considerado pontual e já quantificado. Para a Caixa Seguridade, a avaliação é que a cotação já reflete a qualidade do negócio, limitando o potencial de valorização das ações. Já em relação à Porto, a Monte Bravo entende que um risco de crédito específico no Porto Bank reduz boa parte do potencial de alta dos papéis.
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Em comum, as três casas de análise avaliam que as seguradoras continuam sendo empresas de qualidade, com resultados resilientes e forte geração de caixa. A mudança de postura decorreda percepção de que boa parte dessas qualidades já está incorporada aos preços das ações, reduzindo o potencial de valorização no curto e médio prazo.